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Trump adia ataques contra o Irã após conversas 'muito boas' com Teerã, que nega negociações
O presidente americano, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira (23), que os Estados Unidos adiaram os ataques contra centrais de energia do Irã após "conversas muito boas" com Teerã para "uma resolução completa" da guerra, mas a imprensa estatal iraniana desmentiu qualquer negociação.
O anúncio surpreendeu após um fim de semana de troca de acusações entre os dois países. Em Teerã, no entanto, a imprensa estatal negou qualquer negociação com Washington.
"Não há conversações entre Teerã e Washington", afirmou a agência de notícias Mehr, que citou o Ministério das Relações Exteriores do Irã. As declarações são parte de uma tentativa "de reduzir os preços da energia", acrescentou.
As palavras de Trump provocaram uma queda de mais de 10% nos preços do petróleo e estimularam as Bolsas, que enfrentam um cenário de oscilação desde o início do conflito, há três semanas.
Em sua rede Truth Social, Trump explicou que, nos últimos dois dias, Estados Unidos e Irã "mantiveram conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio".
As conversas "continuarão ao longo da semana", afirmou Trump. Com base nos contatos, o presidente ordenou ao Pentágono que adie "qualquer ataque militar contra usinas de energia elétrica e infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias".
- Troca de ameaças -
O anúncio aconteceu poucas horas antes do fim do ultimato anunciado no sábado pelo próprio Trump, que ameaçou "aniquilar" as centrais elétricas do Irã se o país não reabrisse, em 48 horas, o Estreito de Ormuz.
A passagem marítima, por onde antes da guerra transitava 20% do comércio global de combustíveis, está fechada de fato desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Sem qualquer sinal de aceitar uma intimidação, Teerã ameaçou posicionar minas "nas vias de acesso e nas linhas de comunicação" no Golfo e atacar "todas as infraestruturas energéticas, de tecnologia da informação e de dessalinização de água pertencentes aos Estados Unidos" na região.
A imprensa estatal iraniana publicou listas de possíveis infraestruturas que seriam atacadas, como as usinas de Orot Rabin e Rutenberg, as duas principais centrais elétricas de Israel.
"Digam adeus à eletricidade!", afirma uma infografia da agência Mehr, com potenciais alvos na Arábia Saudita e em outros países vizinhos.
- Crise energética -
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, advertiu nesta segunda-feira que a guerra poderia provocar a pior crise energética mundial em décadas.
Segundo as estimativas da AIE, o mundo perdeu 11 milhões de barris de petróleo por dia desde o início do conflito, ou seja, mais do que o volume diário eliminado durante as duas crises do petróleo consecutivas na década de 1970.
O trânsito de mercadorias pelo Estreito de Ormuz registrou queda de 95%, segundo a empresa de análise Kpler. Apenas alguns cargueiros e petroleiros conseguiram cruzar a passagem nas últimas semanas.
"Nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se continuar avançando nesta direção", declarou Birol.
A China anunciou que limitará a alta do preço dos combustíveis e a Grécia passou a aplicar subsídios que podem chegar a 300 milhões de euros para combustíveis e fertilizantes.
A Suécia também informou que reduzirá temporariamente os impostos sobre a gasolina e o diesel a partir de 1º de maio, até o final de setembro.
- "Várias semanas de combates" -
A China, que até o início da guerra seguia um discurso de prudência, advertiu sobre o risco de uma situação "incontrolável". A Rússia defendeu uma "via política e diplomática".
Após o anúncio de Trump, a Rússia também informou sobre uma ligação entre seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, e o homólogo iraniano, Abbas Araghchi.
A parte russa pediu um "fim imediato das hostilidades e uma solução política", explicou a diplomacia.
Em uma aparente contradição com as últimas declarações de seu aliado americano, Israel anunciou no domingo que se preparava para "várias semanas de combates contra o Irã e o Hezbollah", o grupo pró-iraniano no Líbano.
Na manhã de segunda-feira, o Exército israelense anunciou "uma ampla onda de ataques" contra Teerã. Segundo a agência iraniana Fars, os bombardeios atingiram o norte, o centro, o leste e o oeste da capital.
No início da tarde, novas explosões sacudiram a cidade, informou um jornalista da AFP, que não conseguiu apontar o local exato do impacto.
Durante a noite, também foram registrados ataques contra os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e a Arábia Saudita.
Os países do Golfo são alvos de projéteis iranianos desde o início da guerra com o ataque israelense-americano que matou o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Em outro cenário do conflito, o comandante do Estado-Maior de Israel, o tenente-general Eyal Zamir, anunciou que planeja "intensificar as operações terrestres seletivas e os bombardeios" no Líbano para afastar o Hezbollah "da fronteira".
O presidente libanês, Joseph Aoun, denunciou um "prelúdio a uma invasão terrestre" de seu país, onde a guerra provocou mais de mil mortos e um milhão de deslocados.
burx-dla/hme/dbh/jvb/fp/aa
A.F.Rosado--PC