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Muito velho? Juiz que preside julgamento contra Nicolás Maduro tem 92 anos
Alvin Hellerstein, o juiz americano que preside o caso contra o presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro, é um homem de 92 anos de caráter firme e com um extenso currículo de casos de grande repercussão.
No entanto, como um dos juízes federais mais idosos, alguns questionam se ele é a pessoa mais indicada para presidir o que pode ser um julgamento prolongado contra o ex-líder venezuelano, que enfrenta acusações de tráfico de drogas.
"A questão da idade não pode ser ignorada", disse Shira Scheindlin, ex-juíza federal de Nova York, à AFP. Mesmo assim, ela elogia Hellerstein, nascido em 1933, como um juiz "muito inteligente e perspicaz".
Formado pela Universidade de Columbia, Hellerstein atuou como advogado militar no corpo jurídico das Forças Armadas de 1957 a 1960. Ele foi indicado pelo ex-presidente Bill Clinton em 1998 para o cargo de juiz do distrito sul de Nova York.
- "Reputação merecida" -
Entre seus casos mais notáveis estão os julgamentos civis relacionados aos ataques de 11 de setembro de 2001, os referentes ao tratamento dado pela CIA a detentos acusados de "terrorismo" e aqueles envolvendo abusos infligidos a detentos em prisões americanas no Iraque e no Afeganistão.
Desde 2011, o juiz preside o caso de tráfico de drogas contra Hugo "El Pollo" Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana, no qual Maduro está implicado desde 2020.
Hellerstein já condenou outro réu neste caso, o ex-general venezuelano Cliver Alcalá, a 21 anos e oito meses de prisão em 2024.
Ele também entrou em conflito com o presidente Donald Trump quando rejeitou seu pedido para transferir seu julgamento de Nova York para um tribunal federal no caso de falsificação de documentos para ocultar pagamentos feitos à ex-atriz de filmes pornográficos Stormy Daniels.
Além disso, no ano passado impediu o governo Trump de deportar suspeitos de pertencerem a gangues venezuelanas sem uma audiência judicial.
"Hellerstein tem uma reputação bem merecida por buscar justiça em todos os casos e por ser independente e imparcial", disse o professor de direito Carl Tobias, da Universidade de Richmond.
Em uma decisão histórica de 2015, Hellerstein ordenou que o governo dos EUA divulgasse uma grande quantidade de fotos mostrando abusos contra detidos no Iraque e no Afeganistão.
Ele também presidiu o julgamento em que o banco francês BNP Paribas foi considerado culpado, em outubro, por cumplicidade em atrocidades no Sudão.
- Julgamento de interesse público -
A chocante prisão de Maduro em janeiro, durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, atraiu a atenção pública para o caso e para o juiz responsável.
Segundo o The New York Times, Hellerstein foi visto cochilando durante um julgamento no ano passado e precisou ser acordado por seus colegas.
A concentração de Hellerstein será observada atentamente no caso de Maduro, já que a disputa entre a defesa e a acusação ameaça prolongar o processo.
"Este caso pode não ir a julgamento por pelo menos um ano, talvez dois. Até lá, ele terá 93 ou 94 anos", disse Scheindlin.
"Não tenho dúvidas de que ele estaria apto a julgar o caso amanhã. Mas o caso não irá a julgamento amanhã", acrescentou.
A próxima audiência de Maduro está marcada para esta quinta-feira (26), quando ele deverá comparecer perante o juiz, juntamente com sua esposa, Cilia Flores, que também se declarou inocente.
S.Caetano--PC