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Ucrânia é alvo de um dos maiores ataques da Rússia em plena luz do dia
A Rússia lançou nesta terça-feira (24) um dos seus maiores ataques em plena luz do dia contra a Ucrânia, com mais de 400 drones, que deixaram pelo menos três mortos e atingiram o centro histórico de Lviv, longe da linha de frente, após uma noite marcada por bombardeios letais.
"Em uma escala assim, é quase uma primeira vez. Não me lembro de bombardeios em plena luz do dia com um número tão importante de drones", declarou à AFP Yuri Ignat, porta-voz da força aérea ucraniana, que relatou "400 drones' registrados entre 09h00 e 16h00 do horário local.
Em 25 horas, a força aérea ucraniana contabilizou quase mil drones russos lançados contra o país vizinho.
Os bombardeios causaram vítimas e danos a centenas de quilômetros da linha de frente onde combatem, desde fevereiro de 2022, as tropas de Kiev e de Moscou.
Duas pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas na cidade de Ivano-Frankivsk (oeste), informou a chefe da administração regional, Svitlana Onishchuk, segundo a qual cerca de dez edifícios residenciais e uma unidade de maternidade foram danificados.
Na região de Vinitsia, no centro-oeste da Ucrânia, os bombardeios deixaram ao menos um morto e onze feridos, segundo as autoridades locais.
Também foi atingido o centro histórico de Lviv, inscrito na lista de patrimônio mundial da Unesco. Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas, anunciou Andriy Sadovyi, prefeito dessa cidade próxima à fronteira com a Polônia, país membro da União Europeia e da Otan.
Segundo o chefe da administração militar regional de Lviv, Maksym Kozytskyi, um complexo histórico do século XVII, situado no centro antigo, também sofreu danos.
Kozytskyi publicou um vídeo em sua conta no Telegram — que foi geolocalizado pela AFP — no qual aparece um edifício de dois andares em chamas, ao lado da igreja de Santo André.
Em outro vídeo, publicado por um meio local, aparecem equipes de resgate chegando à igreja, olhando para o céu e instando os civis a se afastarem da entrada.
- "Enxames de drones" -
Nesta terça-feira à tarde também soaram os alertas aéreos na região de Vinítsia.
"Ao longo do dia, a Rússia aterroriza numerosas cidades em toda a Ucrânia com enxames de drones 'Shahed'", denunciou o chanceler Andrii Sybiha na rede social X.
"A Rússia faz exatamente o mesmo que o regime iraniano está fazendo no Oriente Médio, mas no coração da Europa", afirmou o ministro, em referência aos ataques que Teerã realiza com esse mesmo tipo de drones, em resposta à ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro contra seu território.
Durante a noite, a Rússia lançou 392 drones e 34 mísseis contra a Ucrânia. Desses, 365 e 25 foram interceptados, respectivamente, segundo a força aérea ucraniana.
Cinco pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nesses ataques noturnos, nas regiões de Poltava (centro), Zaporizhzhia (sul), Kharkiv (leste), Kherson (sul), Sumy (norte) e Dnipropetrovsk (leste).
"Esses números mostram claramente que é necessária mais proteção para salvar vidas dos ataques russos", reagiu pela manhã o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, nas redes sociais.
"É importante continuar apoiando a Ucrânia e garantir que todos os acordos de defesa aérea sejam implementados a tempo", acrescentou.
Por sua vez, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que, durante a noite, suas forças atacaram "empresas do complexo militar-industrial" e aeródromos da Ucrânia.
Na Rússia, uma pessoa morreu e treze ficaram feridas em um ataque com drones ucranianos na região administrativa de Kursk, na fronteira com o norte da Ucrânia, anunciou o governador regional, Alexander Jinshtein.
Desde que estourou a guerra no Oriente Médio, os esforços de negociação entre Kiev e Moscou, mediados pelos Estados Unidos, para pôr fim ao conflito ficaram suspensos.
Representantes de Kiev e de Washington se reuniram no fim de semana passado nos Estados Unidos para tentar impulsionar o processo diplomático.
Após o encontro, Zelensky pediu que os Estados Unidos proponham um calendário "claro" para retomar o diálogo com Moscou, após várias rodadas de conversas nos últimos meses.
M.Carneiro--PC