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Bolsonaro passará à prisão domiciliar temporária em Brasília devido à sua saúde
O ex-presidente Jair Bolsonaro se beneficiará de uma prisão domiciliar temporária assim que deixar o hospital onde está internado por uma broncopneumonia, decidiu nesta terça-feira (24) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Condenado por golpismo a 27 anos de prisão, Bolsonaro, de 71 anos, ficará recluso em sua casa em Brasília por um período de 90 dias, prorrogáveis, segundo a decisão do magistrado à qual a AFP teve acesso.
"Obrigada, meu Deus!", escreveu no Instagram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, junto a uma imagem da notícia.
O ex-presidente foi hospitalizado no dia 13 de março na clínica privada DF Star, em Brasília, após passar mal na prisão da Papuda, onde cumpre sua pena desde janeiro.
Devido a problemas de saúde recorrentes, os advogados de Bolsonaro haviam solicitado repetidamente que ele fosse transferido para sua casa, mas até agora os pedidos haviam sido negados.
Em sua decisão desta terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes disse que, transcorridos os 90 dias, a situação de Bolsonaro será reavaliada, "inclusive com perícia médica, se houver necessidade".
O ex-mandatário deixou a UTI na segunda-feira e foi transferido para um quarto do centro médico. Por enquanto, não há "previsão de alta hospitalar", disse à AFP seu médico, Brasil Caiado.
Segundo a equipe médica, a infecção que o levou ao hospital é resultado de um episódio de broncoaspiração, ligado às sequelas de uma facada no abdômen que recebeu durante um ato de campanha em 2018.
Desde então, Bolsonaro se submeteu a várias cirurgias e sofre crises de soluço, às vezes acompanhadas de vômitos.
"As condições e necessidades especiais que o presidente demanda, são permanentes e esse nível de cuidados, portanto, serão demandados por toda vida", disse no X seu advogado Paulo Cunha Bueno.
- Tornozeleira e outras restrições -
Em casa, Bolsonaro deverá usar uma tornozeleira eletrônica, mas poderá receber visitas "permanentes" de seus familiares, advogados e médicos, segundo a decisão judicial.
Moraes também manteve a proibição de usar celular, redes sociais ou de gravar qualquer vídeo ou áudio, uma medida que já havia sido aplicada enquanto ele permanecia em prisão domiciliar durante seu julgamento.
Bolsonaro foi condenado em setembro a 27 anos de prisão por conspirar para se manter no poder após sua derrota nas eleições de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após a condenação, Bolsonaro continuou em prisão domiciliar.
No entanto, o Supremo ordenou sua reclusão em novembro na sede da Polícia Federal em Brasília por risco de fuga, após ele ter danificado sua tornozeleira de monitoramento com um maçarico.
O ex-capitão do Exército foi finalmente transferido em janeiro para uma instalação militar com melhores condições, localizada dentro do complexo penitenciário da Papuda.
Na prisão, ele indicou o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, como candidato para as eleições presidenciais de outubro.
A menos de sete meses das eleições, algumas pesquisas mostram um empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula, que busca um quarto mandato.
F.Cardoso--PC