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Israel ataca centro de armamento naval iraniano, e fortes explosões são ouvidas em Teerã
Israel anunciou neste sábado (28) que atacou um centro iraniano de desenvolvimento de armas navais. Além disso, no fim do dia, fortes explosões foram ouvidas em Teerã.
Os novos ataques contra a capital iraniana ocorreram depois que os rebeldes huthis do Iêmen anunciaram sua entrada na guerra no Oriente Médio ao lançarem um míssil contra Israel.
O Exército israelense afirmou que atacou a sede da Organização de Indústrias Navais do Irã durante uma onda de bombardeios noturnos em toda Teerã.
Essa organização "é responsável pela pesquisa, desenvolvimento e produção de uma ampla gama de armamentos navais, incluindo navios de superfície e submarinos, equipamentos tripulados e não tripulados, assim como motores e armas", acrescentou o Exército israelense.
Um jornalista da AFP em Teerã relatou fortes explosões e uma coluna de fumaça preta durante a noite.
Um porta-voz militar israelense afirmou que os ataques contra a indústria militar iraniana foram intensificados e que "em poucos dias" serão concluídos "os ataques contra todos os componentes críticos".
Ao cair da noite, uma nova onda de explosões ecoou na capital por vários minutos, embora ainda não esteja claro quais foram os alvos.
"Sinto falta de uma noite de sono tranquila", disse à AFP uma artista que vive em Teerã, acrescentando que os bombardeios da noite anterior foram "tão intensos que parecia que toda Teerã tremia".
O Irã lançou novos ataques contra o território israelense, onde 11 pessoas ficaram feridas por estilhaços após o impacto de um míssil na localidade de Eshtaol.
- Mediação do Paquistão -
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma onda de ataques aéreos contra o Irã, que provocaram a morte do líder supremo, Ali Khamenei.
Desde então, o conflito se espalhou por toda a região e afeta a economia global, especialmente devido a problemas de abastecimento e à alta dos preços do petróleo e do gás.
O Paquistão, que atua como mediador entre autoridades americanas e iranianas, receberá na segunda-feira (6), em Islamabad, os ministros das Relações Exteriores de potências regionais como Arábia Saudita, Turquia e Egito para discussões sobre a crise.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, agradeceu a Islamabad "seus esforços de mediação para conter a agressão", enquanto o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse esperar "muito em breve" uma reunião direta entre Estados Unidos e Irã no Paquistão.
O enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, afirmou na sexta-feira acreditar que o Irã manterá conversas com Washington dentro de uma semana.
"Isso pode resolver tudo", disse.
- Transporte marítimo no Mar Vermelho -
Durante a recente guerra de Israel em Gaza, os huthis, alegando solidariedade aos palestinos, atacaram navios no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, obrigando empresas de navegação a realizarem desvios custosos.
No entanto, até este sábado, os rebeldes haviam permanecido à margem do conflito, que evidenciou a importância da rota marítima do Mar Vermelho.
A Arábia Saudita já redirecionou grande parte de suas exportações de petróleo para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para evitar o Estreito de Ormuz, que o Irã afirma ter fechado à navegação de países hostis.
Com o Estreito de Ormuz praticamente intransitável, muitas cargas que entram e saem do Golfo passaram pelo porto omanense de Salalah, no Mar Arábico, mas a gigante dinamarquesa de transporte marítimo Maersk informou que as operações foram temporariamente suspensas após um ataque com drone ferir um trabalhador e danificar um guindaste.
O Exército iraniano anunciou neste sábado que atacou um navio logístico americano perto de Salalah.
Omã, por sua vez, afirmou que um ataque com drone ao porto feriu um trabalhador estrangeiro.
O tráfego aéreo também foi afetado. Neste sábado, autoridades do Kuwait e da cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano, relataram danos em instalações aeroportuárias após bombardeios.
Por outro lado, um incêndio foi registrado após mísseis e drones iranianos atingirem a Zona Econômica de Khalifa, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, ferindo seis pessoas.
A empresa Emirates Global Aluminium (EGA) reportou danos significativos após o ataque.
No Irã, por sua vez, a produção foi suspensa em uma grande usina siderúrgica no sudoeste após bombardeios americanos e israelenses, segundo um comunicado da Companhia Siderúrgica de Khuzistão, citado pelo jornal Shargh.
A Guarda Revolucionária iraniana advertiu que responderá a qualquer dano econômico com ataques a instalações industriais em toda a região, após já ter feito alertas semelhantes sobre bases militares dos Estados Unidos e hotéis que hospedam tropas americanas.
A Guarda Revolucionária também afirmou ter encontrado e desativado mais de 120 bombas de fragmentação não detonadas, assegurando que foram lançadas durante ataques americanos e israelenses há vários dias contra a província de Fars, no sul do país.
O presidente Pezeshkian enviou uma mensagem a outros países da região advertindo: "Se querem desenvolvimento e segurança, não deixem que nossos inimigos conduzam a guerra a partir de seus territórios."
burs-dc/smw/meb/dbh/ahg/pb/lm/rpr
A.P.Maia--PC