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Irã e EUA disputam busca por piloto do caça americano derrubado
O Irã e os Estados Unidos estão disputando, neste sábado (4), para encontrar um dos dois tripulantes de um caça americano que caiu na República Islâmica, no momento em que a guerra entra em sua sexta semana com bombardeios contra uma instalação petroquímica iraniana e a usina nuclear de Bushehr.
Segundo meios de comunicação iranianos, Washington e Tel Aviv multiplicaram os alvos de seus ataques.
Cinco pessoas ficaram feridas no bombardeio da usina petroquímica de Mahshahr (sudoeste) e um agente de segurança morreu na área da central de Bushehr (sul), cujas instalações não sofreram danos, afirmam.
Além disso, durante a manhã, o norte de Teerã estava coberto por uma espessa nuvem de fumaça cinza, sem que se soubesse sua origem. Um jornalista da AFP ouviu várias explosões na área, bombardeada na véspera.
Os meios de comunicação iranianos também relatam ataques à fábrica de cimento de Bandar Khamir (sul), que não interrompeu suas atividades, e a um posto fronteiriço com o Iraque.
- Corrida contra o tempo -
Entretanto, continua a corrida para ser o primeiro a encontrar um aviador americano depois de um caça ter caído no sudoeste do Irã.
O exército iraniano afirma ter abatido na sexta-feira um caça-bombardeiro americano F-15E.
Um dos dois pilotos conseguiu se ejetar em pleno voo e foi resgatado pelas forças especiais, mas o paradeiro do segundo é desconhecido, segundo meios de comunicação americanos.
O exército iraniano também afirma ter atingido outro avião dos EUA, uma aeronave de apoio aéreo A-10 Thunderbolt II, que posteriormente caiu no Golfo.
Segundo o jornal The New York Times, o único piloto de um avião americano que caiu perto do Estreito de Ormuz foi resgatado são e salvo.
Após um longo silêncio, a Casa Branca limitou-se a dizer que o presidente Donald Trump foi "informado" do ocorrido.
Em entrevista à emissora NBC, Trump afirmou que isso não muda em "nada" as supostas negociações com Teerã para encontrar uma saída para a guerra, que abala a economia mundial.
Desde o início do conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, nenhum soldado americano morreu ou foi capturado em território iraniano. Mas 13 morreram no Kuwait, na Arábia Saudita e no Iraque.
As hostilidades deixaram milhares de mortos, a grande maioria no Irã e no Líbano.
- "Esconder-se" -
O F-15E foi abatido por um sistema de defesa antiaérea da Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, segundo um porta-voz militar.
O New York Times e o Washington Post afirmam ter verificado fotos e vídeos de helicópteros e aviões americanos sobrevoando a área a baixa altitude.
A emissora de televisão estatal iraniana na região de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad (sudoeste) divulgou imagens dos supostos destroços da aeronave e prometeu uma "recompensa generosa" a quem entregar o piloto.
Houston Cantwell, um ex-piloto da Força Aérea dos Estados Unidos, explicou à AFP que, em operações semelhantes, as forças especiais ficam em estado de alerta para resgatar os pilotos em território inimigo, mas "não vão se lançar em uma missão suicida".
Segundo ele, a prioridade para um piloto é "esconder-se" e encontrar o melhor local para ser resgatado, como uma clareira na floresta ou a cobertura de um edifício.
- Ataques no Golfo -
O Irã continua seus ataques aos países do Golfo, onde há interesses americanos, em represália à ofensiva contra seu território.
No Bahrein, a queda de destroços de drones interceptados deixou quatro feridos, e em Dubai dois prédios sofreram danos, incluindo o da empresa americana Oracle.
No Estreito de Ormuz, em grande medida fechado por Teerã em represália, um segundo navio de um armador turco conseguiu atravessar, segundo o governo de Ancara.
A 500 km a oeste desse estreito está localizada a ilha de Kharg, um ponto crítico para a indústria energética iraniana, visto que, em condições normais, 90% das exportações de petróleo bruto do Irã são escoadas a partir dali.
Donald Trump ameaçou recentemente destruir a ilha se não houver acordo para acabar com a guerra e Teerã não reabrir "imediatamente" o Estreito de Ormuz, por onde transita o petróleo do Golfo, equivalente a 20% do consumo mundial.
Em 13 de março, os EUA afirmaram ter bombardeado alvos militares nesta ilha, mas não infraestruturas petrolíferas.
As exportações de petróleo iraniano a partir de Kharg aumentaram apesar da guerra, segundo a agência iraniana ISNA, que cita Musa Ahmadi, chefe da comissão de Energia do Parlamento.
burx-bar/cgo/erl/avl/yr
M.Carneiro--PC