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EUA, Irã e Paquistão celebram negociações trilaterais
Os Estados Unidos, o Irã e o Paquistão celebram negociações trilaterais em Islamabad neste sábado(11), na tentativa de pôr fim a uma guerra regional de seis semanas que abalou a economia mundial.
Segundo um funcionário do alto escalão da Casa Branca, as três partes estão conversando diretamente. Isso representa uma mudança, já que Washington e Teerã vinham negociando apenas com a ajuda de um mediador, em salas separadas.
As agências de notícias iranianas Fars e Tasnim informaram anteriormente que as negociações começaram após "progressos alcançados durante as discussões preliminares e uma redução nos ataques do regime sionista no sul de Beirute, no Líbano". Elas se referem a Israel.
Mais cedo, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse ter se reunido ao meio-dia com JD Vance, vice-presidente dos EUA, que lidera a delegação americana juntamente com o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
O funcionário da Casa Branca não especificou quais representantes iranianos ou paquistaneses estão participando das negociações.
Sharif também se reuniu no Hotel Serena com a delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e incluindo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
O primeiro-ministro do Paquistão, país mediador, espera que o diálogo leve a "uma paz duradoura na região".
A guerra desencadeada em 28 de fevereiro por um ataque conjunto dos EUA e de Israel contra o Irã causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.
Apesar da trégua anunciada na terça-feira, a divisão entre os beligerantes é enorme em questões cruciais como as sanções, a situação no Líbano (onde Israel trava uma guerra contra o grupo pró-Irã Hezbollah) e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do petróleo e gás mundial até que o Irã o bloqueou quase completamente.
- "Progressos" -
Entre os "progressos" mencionados neste sábado, as agências de notícias Fars e Tasnim destacaram que os Estados Unidos concordaram em liberar "bens iranianos e a necessidade de discussões técnicas e especializadas mais abrangentes sobre o assunto".
Mas pouco antes, um funcionário americano negou que Washington tivesse concordado em descongelá-los. "Temos boas intenções, mas não confiamos neles", declarou Ghalibaf, citado pela televisão iraniana ao chegar à capital paquistanesa.
"Nossa experiência em negociações com os americanos sempre foi marcada por fracassos e promessas quebradas", afirmou.
O ministro das Relações Exteriores iraniano disse ao seu homólogo alemão em um telefonema que "o Irã está entrando nas negociações com total desconfiança", informou a Tasnim.
O vice-presidente JD Vance também expressou cautela antes de partir de Washington. "Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, certamente estaremos dispostos a estender a mão", declarou.
"Se eles tentarem nos enganar, verão que a equipe de negociação não está tão receptiva", acrescentou Vance.
Para fomentar o diálogo, o Paquistão formou uma equipe de especialistas para tratar de assuntos como tráfego marítimo e energia nuclear, entre outros, disse uma fonte diplomática à AFP.
Mas Sharif acredita que as partes estão nem uma fase de tudo ou nada, o que complica o "estabelecimento de uma trégua duradoura".
No Irã, onde as autoridades impuseram um bloqueio à internet, muitos moradores desconfiam. "Não devemos levar Trump tão a sério. Ele quer apagar uma civilização do mapa e, doze horas depois, estabelece um cessar-fogo sem fundamento", disse à AFP um homem de 30 anos que pediu para não ser identificado.
Após múltiplos ultimatos, ameaças e mudanças de posição desde o início da guerra, Donald Trump afirmou na sexta-feira que o Irã não tinha "nenhuma vantagem" nas negociações, exceto pelo Estreito de Ormuz.
"Ele se abrirá automaticamente" porque o Irã "não ganha dinheiro de outra forma", afirmou Trump, em meio à grande expectativa nos mercados.
- Dez mortos no Líbano -
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor na quarta-feira, Teerã e Washington estão em desacordo sobre a inclusão do Líbano em um acordo de paz.
Israel quer continuar combatendo o Hezbollah. Na quarta-feira, seu exército realizou os ataques mais mortais desta guerra no Líbano, com pelo menos 357 mortes em um único dia, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.
Neste sábado, ataques israelenses no sul do Líbano resultaram na morte de 10 pessoas, informou o Ministério.
Israel e o governo libanês têm uma reunião marcada para terça-feira em Washington, que não é bem vista pelo Hezbollah e que, de qualquer forma, não silenciou os combates.
O exército israelense anunciou neste sábado que atacou mais de 200 alvos do Hezbollah no Líbano nas últimas 24 horas.
burs/cl/mlm/mas/vel/avl-meb/jc
L.Carrico--PC