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Peter Magyar, ex-membro do partido de Orbán, vence na Hungria e promete mudança
Em apenas dois anos, Péter Magyar reergueu o moribundo partido Tisza, até lançar uma ofensiva e derrotar Viktor Orbán, que buscava um quinto mandato consecutivo como primeiro-ministro.
"Nós libertamos a Hungria", proclamou Magyar, vencedor das eleições legislativas deste domingo (12). "Juntos, derrotamos o regime de Orbán", disse diante de seus apoiadores em Budapeste.
Com quase 67% dos distritos apurados, o partido Tisza, de Magyar, atribui a si 137 dos 199 assentos da Assembleia húngara, uma supermaioria de dois terços que lhe permite realizar reformas constitucionais.
Mas, até recentemente, Magyar aplaudia os discursos do primeiro-ministro húngaro, o ultranacionalista Viktor Orbán, no poder há mais de uma década. Nas eleições legislativas de domingo, porém, tornou-se seu rival mais sério.
"Me chamavam de 'opositor eterno' dentro do Fidesz", o partido de Orbán, comentou Magyar à AFP.
Habilidoso comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanha, o conservador de 45 anos promete mudança, desmontando "tijolo por tijolo" todo o sistema político de Orbán.
Quem o conhece diz que Magyar é perfeccionista, exige o melhor de todos, é temperamental, mas sabe se desculpar.
Ele percorreu o país quase sem parar nos últimos dois anos com a promessa de combater a corrupção e melhorar os serviços públicos, levando seu partido a liderar as pesquisas.
Sua condição de ex-integrante do governo ajudou em sua ascensão meteórica, segundo Andrzej Sadecki, analista do Centro de Estudos Orientais, em Varsóvia.
"Ele soa mais convincente para alguns ex-eleitores do Fidesz quando afirma que o sistema está podre por dentro", declarou Sadecki à AFP.
"De certa forma, Magyar é como Orbán há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder", acrescentou.
Nascido em uma família de conservadores proeminentes, Magyar se interessou pela política desde cedo.
Durante a universidade, tornou-se amigo de Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça sob Orbán.
Após atuar como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos estudantis e integrou conselhos de outras entidades públicas.
Magyar e Varga, que têm três filhos, se divorciaram em 2023.
- Corajoso -
O opositor foi envolvido em um escândalo de encobrimento de abusos infantis que abalou o governo no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga, então ministra da Justiça e sua esposa.
Magyar denunciou a corrupção do governo de Orbán e renunciou aos seus cargos públicos.
Naquele momento, descartou ter ambições políticas, mas foi visto como "corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos", comentou à AFP Veronika Kovesdi, especialista em mídia da universidade ELTE, em Budapeste.
Suas mensagens nas redes sociais "ressoaram emocionalmente" com seus seguidores, muitos dos quais o veem como um "herói que luta incansavelmente" por eles.
Ele assumiu o controle do até então pouco conhecido partido Tisza para disputar as eleições europeias de 2024, alcançando o segundo lugar, atrás da coalizão governista.
Com o crescimento de sua popularidade, Magyar enfrentou um "tsunami de ódio e mentiras", como ele próprio descreveu. Ele ironizou algumas acusações e negou outras, como as de suposto abuso doméstico contra Varga.
Segundo Kovesdi, esses ataques "o ajudaram a se legitimar como um líder realmente capaz de gerar mudança".
Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e promover reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia para a Hungria.
Na política externa, comprometeu-se a tornar o país um parceiro confiável da Otan e da União Europeia e a adotar uma postura crítica em relação à Rússia, ao contrário de Orbán, próximo de Moscou apesar da invasão da Ucrânia.
Assim como Orbán, Magyar rejeita enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada do país à União Europeia, mas rejeita a retórica hostil contra Kiev.
Sua posição antimigração é mais rígida que a de Orbán, ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados.
Quanto aos direitos da população LGBTQIA+, sua posição tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.
P.Cavaco--PC