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Trump ameaça 'eliminar' qualquer navio iraniano que tente violar bloqueio dos portos
Donald Trump ameaçou, nesta segunda-feira (13), "eliminar" qualquer navio iraniano que tente furar o bloqueio naval dos portos do Irã imposto pelos Estados Unidos e que entrou em vigor nesta segunda-feira.
Washington anunciou o bloqueio de todos os portos iranianos a partir das 11h00 no horário de Brasília, após o fracasso das negociações de paz com Teerã no Paquistão.
Para o Irã, esse bloqueio é "ilegal" e um ato de "pirataria", e Teerã advertiu que, se a medida for levada adiante, nenhum porto do Golfo "estará a salvo" de represálias.
A resposta de Trump foi imediata. "Se algum desses navios se aproximar minimamente do nosso BLOQUEIO, será ELIMINADO de imediato", escreveu em sua rede Truth Social.
O anúncio do bloqueio voltou a disparar os preços do petróleo, que avançaram cerca de 8% nesta segunda-feira, e mergulhou novamente os mercados mundiais na incerteza.
Segundo detalhou Trump na Truth Social, o bloqueio será imposto a todos os navios que entrem e saiam dos portos iranianos.
O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio esclareceu que será autorizada a circulação de navios que não saiam do Irã nem se dirijam ao país.
"Pode-se supor que a intenção de Trump é tentar privar o Irã de suas receitas de exportação e obrigar seus principais importadores de petróleo, especialmente a China, a pressionar Teerã para que levante seu bloqueio do Estreito de Ormuz", assinalou o centro de estudos Soufan Center.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada em 28 de fevereiro após bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, Teerã mantém bloqueado o Estreito de Ormuz.
Por meio dessa passagem estratégica, por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo e gás do mundo, o Irã impôs direitos de passagem para atravessá-la, medidas que pretende manter.
A China, que depende em grande medida do Irã para seu abastecimento de petróleo, pediu o restabelecimento de uma navegação "sem obstáculos" em Ormuz, reivindicação à qual também se somou a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Por sua vez, a agência marítima da ONU afirmou que "nenhum país" tem o direito legal de bloquear a navegação em Ormuz.
- Críticas de outros países -
Sem surpresa, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, manifestou apoio ao bloqueio americano; o Reino Unido declarou que não o apoia e a Espanha disse que "não faz sentido".
A França anunciou que organizará em breve, junto com o Reino Unido, uma conferência com os países "dispostos a contribuir" para uma missão "pacífica destinada a restabelecer a liberdade de navegação" no estreito, assim que "a situação permitir".
A incapacidade das duas partes de chegarem a um acordo faz temer uma retomada do conflito, que se estendeu a toda a região pelas represálias da república islâmica contra seus vizinhos.
Desde então, mais de 6 mil pessoas morreram nessa guerra, principalmente no Irã e no Líbano.
O cumprimento do cessar-fogo de duas semanas, que expira em 22 de abril, segue incerto.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que o cessar-fogo "se mantém" e que continuam os esforços para resolver algumas questões pendentes.
- "Maximalismo americano" -
Os dois inimigos culpam um ao outro pelo fracasso das negociações, mas não as consideram encerradas.
Segundo Trump, elas fracassaram porque o Irã se opõe a renunciar à posse de armas nucleares, acusação desmentida por Teerã.
Netanyahu afirmou nesta segunda-feira que a ruptura partiu do lado americano, devido à falta de uma "abertura imediata do estreito" de Ormuz. Mas acrescentou que, para Trump, a "questão central" continua sendo o programa nuclear.
A Rússia reiterou nesta segunda-feira estar disposta a receber em seu território, no âmbito de um eventual acordo de paz, os mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido (60%) que o Irã possui.
Para o chanceler iraniano Abbas Araghchi, um dos principais negociadores, o fracasso se deve ao "maximalismo americano".
- Ataques no Líbano -
No Líbano, outra frente da guerra, os ataques continuam porque Israel se considera excluído do acordo de cessar-fogo.
Nesta segunda-feira, o movimento islamista pró-Irã Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra duas localidades israelenses situadas do outro lado da fronteira.
Por sua vez, o Exército israelense informou ter atacado cerca de 150 alvos do Hezbollah nas últimas 24 horas.
O Ministério da Saúde libanês informou quatro mortos em um ataque israelense contra a localidade de Maaraub, no sul do país, que se somam aos mais de 2 mil mortos desde que o Hezbollah arrastou o país para a guerra no início de março.
Libaneses e israelenses devem manter negociações na terça-feira, em Washington.
burx-maj/erl-meb/pc/lm/aa
N.Esteves--PC