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Governo argentino impede entrada de jornalistas na Casa Rosada por suposta 'espionagem'
O governo argentino do ultraliberal Javier Milei proibiu a entrada de todos os jornalistas credenciados na Casa Rosada, sede do governo, nesta quinta-feira (23), como parte de uma investigação sobre suposta "espionagem ilegal", disse uma fonte do governo.
"A decisão de remover as impressões digitais dos jornalistas credenciados da Casa Rosada foi tomada como medida preventiva após uma denúncia da Casa Militar sobre espionagem ilegal. O único objetivo é garantir a segurança nacional", disse Javier Lanari, secretário de Comunicação e Imprensa do país, na rede social X.
A identificação por impressão digital é o método padrão para conceder acesso a jornalistas na Casa Rosada.
O presidente Javier Milei compartilhou essa publicação escrevendo apenas a sigla "NOL$ALP" (não odiamos jornalistas o suficiente), sua mensagem habitual contra a imprensa.
Lanari não revelou mais detalhes sobre a investigação em andamento e o governo não emitiu nenhum comunicado.
"Todos ficaram do lado de fora da sala de imprensa. Me disseram que é temporário", disse Lautaro Maislin, jornalista credenciado do canal C5N.
A medida abrange quase 50 profissionais credenciados.
Segundo diversos veículos de comunicação, a investigação está relacionada, por um lado, a uma suposta rede de espionagem russa que o governo suspeita ter orquestrado uma campanha midiática contra o presidente Milei em 2024.
Por outro lado, envolve uma denúncia criminal contra dois jornalistas do canal Todo Noticias por suposta espionagem, devido a filmagens realizadas em áreas não autorizadas do palácio presidencial.
"Gostaria muito de ver esses lixos imundos que possuem credenciais de imprensa (95%) vir a público defender o que esses dois criminosos fizeram", escreveu Milei no X na quarta-feira, junto com uma foto dos jornalistas acusados. "Espero que isso chegue aos responsáveis", acrescentou.
Em nota, os jornalistas credenciados pediram "uma resolução rápida" para a situação e descreveram a medida como "discricionária e sem aviso prévio".
"A decisão sugere um ataque explícito à liberdade de imprensa, ao exercício da profissão e ao direito de todos os cidadãos ao acesso à informação", afirmaram.
A medida não tem precedentes, nem mesmo durante a ditadura civil-militar (1976-1983), salientaram.
A relação de Milei com a imprensa tem sido tensa desde que ele assumiu o cargo em dezembro de 2023, marcada por ataques verbais e insultos contra jornalistas, a quem ele chama com frequência de "lixo".
Em seu recente relatório global, a Anistia Internacional alertou para "processos criminais e assédio judicial" contra jornalistas na Argentina.
G.Teles--PC