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Rússia decreta trégua em 8 e 9 de maio, e Ucrânia anuncia seu próprio cessar-fogo a partir de 4ª feira
A Rússia anunciou nesta segunda-feira (4) uma trégua unilateral com a Ucrânia para os dias 8 e 9 de maio por ocasião das comemorações da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial, e ameaçou lançar um "ataque maciço de mísseis" se Kiev a violar.
A Ucrânia, no entanto, respondeu declarando seu próprio cessar-fogo a partir da meia-noite (horário local) de 5 de maio, ao assegurar que o anúncio russo não era sério.
Essas decisões ocorrem no momento em que os Estados Unidos concentram sua atenção no conflito no Oriente Médio, após esforços diplomáticos para encerrar a guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão russa em larga escala em 2022.
"De acordo com uma decisão do comandante supremo das forças armadas russas, Vladimir Putin, foi declarado um cessar-fogo nos dias 8 e 9 de maio de 2026", afirmou o Ministério da Defesa russo no MAX, um serviço de mensagens apoiado pelo Kremlin.
Se a Ucrânia "tentar implementar seus planos criminosos para perturbar a celebração [...], as forças armadas russas lançarão, em represália, um ataque massivo com mísseis contra o centro de Kiev", advertiu, instando a população civil de Kiev e funcionários de missões diplomáticas estrangeiras a deixar a cidade.
A Rússia comemora todos os anos o Dia da Vitória sobre a Alemanha nazista em 1945 com um grande desfile militar na Praça Vermelha, em Moscou.
Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, considerou que decretar um cessar-fogo para que Moscou possa celebrar essa data não era "sério" e que a Rússia temia que drones ucranianos "zumbissem sobre a Praça Vermelha".
Ele acrescentou que não havia recebido nenhuma solicitação "sobre a modalidade de um cessar das hostilidades".
"Nesse sentido, anunciamos um regime de cessar-fogo a partir das 00h00 [18h00 em Brasília] da noite de 5 para 6 de maio", escreveu na rede X.
Mais tarde, o líder ucraniano pousou em Bahrein para manter conversas sobre "cooperação em matéria de segurança", informou à AFP uma fonte da delegação ucraniana.
- Ataques mortais -
Ataques russos mataram nesta segunda-feira nove pessoas em toda a Ucrânia, segundo autoridades ucranianas, enquanto um drone ucraniano caiu sobre um edifício residencial em Moscou.
Pela manhã, mísseis balísticos russos lançados contra a localidade de Merefa — nos arredores de Kharkiv, a segunda cidade mais populosa da Ucrânia — mataram sete civis e feriram dezenas de pessoas.
Jornalistas da AFP em Merefa viram vários corpos estendidos na rua, cobertos com mantas e lençóis brancos, além de comércios, casas e veículos danificados.
Outro ataque russo contra a localidade de Vilniansk, na região de Zaporizhzhia, matou um casal cujo filho ficou ferido, juntamente com outras três pessoas.
Na Rússia, um drone ucraniano matou um civil na região fronteiriça de Belgorod. Um drone ucraniano também atingiu um prédio de grande altura em um bairro de alto padrão de Moscou durante a noite, declarou o prefeito da capital russa, Sergey Sobyanin.
- Avanços lentos -
A Rússia perdeu em abril mais território do que ganhou na Ucrânia pela primeira vez desde a contraofensiva ucraniana de meados de 2023, segundo uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês).
Moscou cedeu o controle de cerca de 120 quilômetros quadrados entre março e abril, segundo os dados do ISW.
Embora os combates na linha de frente tenham alcançado uma situação próxima de estagnação, nos últimos meses continuaram sem trégua ataques intensos e mortais, em sua maioria com drones.
Os avanços da Rússia desaceleraram desde o fim de 2025, já que problemas de comunicação no exército russo, somados a contra-ataques ucranianos, ajudaram Kiev a obter progressos localizados no sudeste.
No entanto, os ganhos líquidos do exército ucraniano — os primeiros em mais de dois anos — foram marginais e representaram apenas 0,02% do território ucraniano, segundo os dados.
Moscou ocupa atualmente pouco mais de 19% da Ucrânia, a maior parte conquistada durante as primeiras semanas da invasão iniciada há quatro anos.
Cerca de 7%, incluindo a Crimeia e áreas da região do Donbass, já estavam sob controle russo ou de separatistas pró-russos antes da invasão de fevereiro de 2022, que desencadeou a guerra.
P.Queiroz--PC