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Hostilidades em torno de Ormuz ameaçam cessar-fogo entre EUA e Irã
A trégua entre Estados Unidos e Irã corre sério risco devido aos enfrentamentos desta segunda-feira (4) em torno do estratégico Estreito de Ormuz e pela retomada dos ataques de Teerã contra um de seus vizinhos do Golfo, os Emirados Árabes Unidos.
O recrudescimento da guerra, que ameaça o cessar-fogo vigente desde 8 de abril, acontece após o presidente americano Donald Trump anunciar uma operação militar destinada a restabelecer a circulação de navios em Ormuz.
O magnata republicano advertiu, em declarações veiculadas pela emissora Fox News, que "os iranianos seriam varridos da face da Terra" em caso de ataques a navios americanos na região.
Desde que o conflito começou em 28 de fevereiro pelos ataques de Washington e Israel à República Islâmica, Teerã controla essa passagem estratégica por onde costumava circular um quinto do consumo mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Cerca de 20.000 marinheiros estão imobilizados na região, segundo um alto funcionário da agência britânica de segurança marítima UKMTO.
Os ataques, os primeiros voltados contra instalações civis em um país do Golfo em mais de um mês, reacenderam os temores dos mercados, onde os preços do petróleo dispararam.
A instalação petrolífera de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, uma das poucas acessíveis na região sem passar pelo estreito, foi atacada por um drone que provocou um incêndio. Três cidadãos indianos ficaram "moderadamente feridos", segundo as autoridades locais.
Os Emirados Árabes também anunciaram que foram alvo de quatro mísseis de cruzeiro "lançados do Irã", dos quais três foram interceptados e um caiu no mar, segundo o Ministério da Defesa. Um navio-petroleiro da empresa estatal Adnoc também foi atacado por dois drones iranianos.
O país árabe denunciou "uma escalada perigosa" e afirmou que tem o direito de responder.
- 'Não há solução militar' -
O Irã "não tinha nenhum plano de atacar os Emirados", assinalou a televisão estatal iraniana, citando um alto comandante não identificado.
O oficial denunciou as consequências do "aventureirismo do exército americano", em referência à operação destinada a liberar os navios que estão presos no Golfo pelo fechamento de Ormuz.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou o que classificou de "violação manifesta da soberania e do direito internacional" por parte do Irã, e expressou sua "total solidariedade" ao povo emiradense.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o governo da Arábia Saudita pediram uma distensão no Oriente Médio.
Em Omã, duas pessoas ficaram feridas no ataque a um edifício em Bukha, no Estreito de Ormuz, informou um meio de comunicação estatal.
"Os acontecimentos em Ormuz mostram que não há solução militar para uma crise política", afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, na rede social X.
Ele exortou os Estados Unidos a darem prioridade ao caminho da mediação do Paquistão, alertando-os sobre o risco de serem "arrastados para um atoleiro".
As divergências continuam sendo significativas entre ambos os países e as tentativas de retomar as negociações fracassaram até agora, apesar de uma primeira reunião direta na capital paquistanesa Islamabad em 11 de abril.
Teerã indicou no domingo que tinha recebido uma resposta de Washington, que não foi tornada pública, à sua última proposta de acordo.
- Petróleo volta a disparar -
Mas o presidente americano congratulou a si mesmo por essa iniciativa que, segundo ele, "funciona muito bem". Trump reiterou que não se pode permitir que o Irã obtenha armas nucleares, uma ambição que Teerã nega.
Enquanto isso, dois navios mercantes de bandeira americana cruzaram "com sucesso" o estreito, assegurou o comando militar americano para a região, o Centcom.
Segundo o chefe do Centcom, Brad Cooper, suas forças destruíram seis embarcações iranianas e interceptaram mísseis e drones lançados contra navios militares e comerciais americanos.
Teerã, no entanto, negou que embarcações mercantes tivessem atravessado o estreito e que os Estados Unidos tivessem destruído barcos iranianos.
A Coreia do Sul, por sua vez, relatou uma "explosão" seguida de um incêndio em um navio sul-coreano em Ormuz.
Nesse contexto, o barril de petróleo de tipo Brent, referência internacional, voltou a disparar e fechou nesta segunda-feira a 114,44 dólares, o que supõe um aumento de 5,8%.
burx-sst/ph/ad-arm/cjc/rpr
E.Ramalho--PC