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Irã amplia ameaças e diz que 'ainda não começou' confronto com EUA por Ormuz
O Irã aumentou, nesta terça-feira (5), o tom das ameaças diante da operação dos Estados Unidos para escoltar navios no Estreito de Ormuz, um dia após vários ataques na região que colocaram o cessar-fogo em perigo.
Washington e Teerã travam uma disputa pelo controle da passagem estratégica, por onde transitava 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da guerra.
"Sabemos perfeitamente que a continuidade do status quo é intolerável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos", advertiu Mohamad Bagher Ghalibaf, o principal negociador iraniano, em uma mensagem na rede social X.
"A segurança do transporte marítimo e do trânsito energético foi ameaçada pelos Estados Unidos, cuja presença maligna diminuirá", acrescentou Ghalibaf, que também é presidente do Parlamento iraniano.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã - que provocou milhares de mortes, principalmente na República Islâmica e no Líbano -, Teerã controla a via estratégica.
A situação provocou o aumento expressivo do preço do petróleo.
Washington tenta pressionar Teerã e exige que o regime islâmico abandone o programa nuclear.
Em 8 de abril, coincidindo com o início da trégua com o Irã, as forças dos Estados Unidos implementaram um bloqueio aos portos iranianos.
Na segunda-feira, o país iniciou a chamada operação "Projeto Liberdade" para permitir que os navios bloqueados há semanas consigam atravessar o estreito.
Segundo várias empresas especializadas, mais de 900 navios estavam no Golfo Pérsico no fim de abril, com quase 20.000 marinheiros.
Nas últimas horas, o Irã respondeu à operação de Washington com lançamentos de mísseis e drones contra navios militares americanos na região, que foram interceptados, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
A Coreia do Sul relatou uma "explosão" seguida de um incêndio em um navio do país em Ormuz.
Apesar dos desmentidos iranianos, o Centcom anunciou que dois navios mercantes com bandeira dos Estados Unidos, escoltados pelas forças americanas, atravessaram "com sucesso" o Estreito de Ormuz na segunda-feira. "Está indo muito bem", celebrou o presidente Donald Trump.
A empresa dinamarquesa de transporte Maersk anunciou que um de seus navios, que transportava veículos e estava bloqueado na região desde fevereiro, conseguiu atravessar o estreito na segunda-feira "acompanhado por meios militares americanos".
As forças militares americanas informaram que destruíram seis embarcações iranianas "que ameaçavam a navegação comercial".
Teerã negou qualquer dano em seus navios e acusou Washington de matar cinco civis em ataques contra duas embarcações que partiram de Omã com destino à costa iraniana.
- Ataques aos Emirados -
Os ataques também acontecem em terra. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que foram alvos de mísseis de cruzeiro "lançados a partir do Irã".
Um ataque contra a instalação petrolífera de Fujairah, uma das poucas acessíveis na região sem passar pelo Golfo, deixou três feridos e provocou um incêndio.
O Ministério das Relações Exteriores emiradense denunciou "uma escalada perigosa" e afirmou que se reserva o direito de responder.
Em Omã, duas pessoas ficaram feridas em um ataque contra um edifício na cidade de Bukha, no Estreito de Ormuz, segundo a imprensa estatal.
No mercado de petróleo, o barril de Brent, referência internacional, permanece em níveis elevados, negociado a 113 dólares, mas consideravelmente abaixo da cotação de 126 dólares registrada na semana passada.
"A retórica do Irã e dos Estados Unidos sugere que é provável que a violência se intensifique antes da possibilidade de alcançar uma solução diplomática", disse Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da corretora XTB.
"Os acontecimentos em Ormuz demonstram que não há solução militar para uma crise política", destacou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Vários países condenaram os ataques iranianos. O presidente francês, Emmanuel Macron, os considerou "inaceitáveis" e a Arábia Saudita advertiu para o risco de uma nova "escalada militar" no Golfo.
As tentativas de retomar as negociações entre Irã e Estados Unidos fracassaram até o momento, após um primeiro encontro entre as partes em Islamabad (Paquistão) em 11 de abril, que terminou sem resultados.
P.Queiroz--PC