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Irã ameaça com 'forte represália' após ataques dos EUA a seus petroleiros
O Irã ameaçou na noite deste sábado (9) atacar alvos americanos no Oriente Médio em caso de novos ataques contra seus navios mercantes, após o bombardeio no dia anterior de dois de seus petroleiros por Washington, que continua aguardando a resposta de Teerã às suas últimas propostas.
"Qualquer ataque contra petroleiros e navios comerciais iranianos provocará uma forte represália contra um dos centros americanos na região, bem como contra os navios inimigos", declarou o comandante da marinha da Guarda Revolucionária, o exército ideológico de Teerã.
"Mísseis e drones estão apontados contra o inimigo e aguardamos a ordem para abrir fogo", acrescentou o comandante, general Majid Mousavi, segundo a televisão pública Irib e a agência Isna.
Essas ameaças ocorrem no dia seguinte aos ataques dos Estados Unidos contra dois petroleiros iranianos no Golfo de Omã.
Desde a eclosão da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã mantém bloqueado o Estreito de Ormuz, ao que os Estados Unidos responderam impondo um bloqueio aos portos iranianos desde 13 de abril.
- "Seriedade" -
Os confrontos navais entre Washington e Teerã se multiplicaram desde o início do mês, enquanto as negociações parecem estar estagnadas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na sexta-feira que esperava para a noite uma resposta dos iranianos à sua última proposta destinada a pôr fim à guerra.
"Devo receber uma carta esta noite, então veremos como tudo se desenrola", disse a jornalistas.
Mas o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, expressou neste sábado seu ceticismo quanto à seriedade da diplomacia americana ao falar por telefone com seu par turco, Hakan Fidan.
"A recente escalada de tensões por parte das forças americanas e suas múltiplas violações do cessar-fogo reforçam as suspeitas sobre a motivação e a seriedade da parte americana na diplomacia", afirmou Araghchi, segundo a agência Isna.
Enquanto Washington aguardava uma resposta de Teerã, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, reuniu-se neste sábado com o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, com quem discutiu temas de segurança, informou o Departamento de Estado. O Catar é um aliado dos Estados Unidos na região.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, citado pela televisão estatal, havia indicado mais cedo que o Irã continuava estudando a proposta americana.
- Confrontos no mar -
Embora, segundo os militares, os dois navios iranianos "neutralizados" pelos EUA não transportassem carga, as imagens divulgadas pelo comando militar americano para a região (Centcom) mostram densas colunas de fumaça saindo das pontes de comando.
O Irã, por sua vez, denunciou na ONU uma "flagrante violação" da trégua concluída um mês antes.
Uma fonte militar citada pela agência Tasnim afirmou que as forças iranianas haviam respondido.
"Após um período de troca de tiros, os confrontos cessaram por enquanto e a calma retornou", indicou.
A guerra causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abala a economia mundial.
- Mais mortos no Líbano -
Na outra frente do conflito, no Líbano, Israel realizou ataques neste sábado, matando pelo menos nove pessoas no sul, segundo as autoridades, com investidas sobre uma rodovia não muito longe de Beirute.
Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah prosseguem com seus confrontos diários, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, que ambos acusam o outro lado de violar.
O exército israelense voltou a ordenar a evacuação imediata de várias localidades do sul do país com vistas a ataques contra o Hezbollah.
Segundo o Ministério libanês da Saúde, um dos ataques, dirigido contra uma motocicleta na cidade de Nabatiyeh, fora das zonas designadas para evacuação, matou um cidadão sírio e feriu gravemente sua filha de 12 anos.
Em um bombardeio no distrito de Sidon, afirmou o mesmo ministério, morreram pelo menos sete pessoas, incluindo uma menina, com 15 feridos.
Enquanto isso, o Hezbollah anunciou neste sábado ter atacado tropas de Israel com um drone, como resposta "à violação do cessar-fogo por parte do inimigo israelense".
O exército israelense informou que um reservista ficou gravemente ferido.
O Hezbollah arrastou Beirute para a guerra em 2 de março, ao retomar seus ataques contra Israel em apoio a seu aliado iraniano, após a ofensiva conjunta dos EUA e de Israel contra a República Islâmica.
Os bombardeios israelenses no Líbano causaram 2.750 mortes desde o início da guerra, segundo um balanço do Ministério da Saúde publicado na sexta-feira, além de mais de um milhão de deslocados.
burx-myl-bar/pno/arm/lb/am/ic
B.Godinho--PC