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Irã analisa nova proposta dos EUA, Trump diz que negociações estão na reta final
O Irã anunciou, nesta quarta-feira (20), que analisa uma nova proposta dos Estados Unidos, entregue por intermédio do Paquistão depois que o presidente americano, Donald Trump, afirmou que as negociações estão nas "etapas finais".
Após uma onda de ameaças de ambas as partes, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, disse que Teerã está "examinando" a nova proposta americana no âmbito da visita à capital iraniana do ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, mediador destes diálogos.
"Recebemos os pontos de vista da parte americana e atualmente os estamos examinando", declarou à TV estatal o porta-voz, que expressou sua "grande desconfiança" em relação a Washington.
Ele reiterou as exigências da República Islâmica: "o desbloqueio dos ativos iranianos congelados" no exterior e o fim do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos.
Em Washington, Trump disse a jornalistas que os Estados Unidos estão nas "etapas finais" das negociações com o Irã.
"Teremos um acordo ou vamos fazer algumas coisas que são um pouco desagradáveis. Mas, com sorte, isto não ocorrerá", disse. "Não tenho nenhuma pressa. Só que, idealmente, gostaria de ver pouca gente morta em vez de muita", acrescentou.
Após as declarações de Trump e das informações sobre a continuidade das negociações com a mediação do Paquistão, os preços mundiais do petróleo caíram mais de 5% nesta quarta-feira, ante as expectativas de um acordo.
A guerra, que sacudiu a economia mundial, começou em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã.
Desde 8 de abril, um frágil cessar-fogo pôs freio nas hostilidades, mas os Estados Unidos e o Irã mantêm um enfrentamento verbal.
Trump ameaçou Teerã reiteradamente com novas ações militares, enquanto os funcionários iranianos responderam com suas próprias advertências de "ações devastadoras".
Apesar das declarações agressivas, os dois países continuam participando de intercâmbios diplomáticos mediados pelo Paquistão com o objetivo de pôr fim à guerra oficialmente.
- Guerra "muito além da região" -
Mais cedo, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os Estados Unidos estão tentando retomar a guerra no Oriente Médio, depois que Trump ameaçou na terça-feira atacar a República Islâmica se um acordo de paz não for alcançado.
Ghalibaf, que também é presidente do Parlamento iraniano, advertiu que Teerã prepara uma "resposta contundente" diante da possibilidade de novos ataques.
A Guarda Revolucionária fez outra ameaça, nesta quarta-feira, afirmando que "se a agressão contra o Irã se repetir, a guerra regional prometida se estenderá desta vez muito além da região, e nossos golpes devastadores os esmagarão".
O ministro saudita das Relações Exteriores, o príncipe Faisal bin Farhan, elogiou Trump nesta quarta-feira por sua decisão de "dar uma oportunidade à diplomacia" e exortou o Irã a aproveitar "a oportunidade de evitar as perigosas implicações de uma escalada".
Na terça-feira, Trump insistiu que os Estados Unidos continuavam dominando a situação e que o Irã estava desesperado para alcançar a paz.
"Vocês já sabem como é negociar com um país ao qual você está dando uma surra. Eles vêm à mesa implorando para chegar a um acordo", disse a jornalistas na Casa Branca.
- Sob pressão -
Embora o cessar-fogo tenha interrompido os combates, não permitiu reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, por onde, em tempos de paz, passa um quinto das exportações de petróleo e Gás Natural Liquefeito (GNL) do mundo.
O futuro desta rota marítima é um ponto-chave das negociações, mas sem um acordo aumentam os temores pela economia mundial à medida que se esgotam as reservas de petróleo acumuladas antes da guerra.
Pelo estreito também transita cerca de um terço dos fertilizantes mundiais, cuja falta está provocando um aumento dos preços dos alimentos e pode causar escassez.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura alertou, nesta quarta-feira, para uma grave crise mundial dos preços dos alimentos e uma "crise agroalimentar sistêmica" devido ao fechamento do estreito.
M.Carneiro--PC