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Intensos bombardeios russos matam quatro pessoas em Kiev e arredores
A Rússia bombardeou intensamente Kiev neste domingo (24), deixando pelo menos quatro mortos na capital e arredores, dias após um ataque ucraniano a uma escola em uma região ocupada por Moscou, ataque que o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu vingar.
Jornalistas da AFP em Kiev ouviram várias explosões que sacudiram prédios na madrugada deste domingo, em um ataque que utilizou 600 drones e 90 mísseis, segundo a Força Aérea ucraniana.
Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, duas pessoas morreram na capital e 56 ficaram feridas. O chefe da região de Kiev afirmou que duas pessoas morreram na região, onde outras nove também ficaram feridas.
Sistemas de defesa aérea interceptaram 549 dos drones e 55 dos mísseis lançados, segundo a Força Aérea. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, indicou que a Rússia lançou um míssil hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear.
"Três mísseis russos contra uma instalação de abastecimento de água, um mercado incendiado, dezenas de prédios residenciais danificados, várias escolas normais, e ele [Putin] lançou seu 'Oreshnik' contra Bila Tserkva", no centro da Ucrânia, denunciou Zelensky no Telegram.
"Eles são completamente loucos", acrescentou.
Um alerta aéreo nacional foi ativado devido a este ataque "massivo" à capital, no qual a Rússia usou "mísseis de vários tipos e drones", afirmou o exército ucraniano.
As explosões sacudiram um prédio residencial próximo ao distrito governamental, enquanto dezenas de pessoas se refugiaram em uma estação de metrô no centro da cidade, relataram jornalistas da AFP.
Os moradores foram orientados a permanecer em abrigos, enquanto as autoridades municipais alertavam para incêndios. Algumas horas antes, Zelensky e a embaixada dos EUA em Kiev haviam expressado preocupação com a possibilidade de um ataque russo iminente.
Segundo o prefeito de Kiev, foram relatados danos em todos os distritos da cidade e um incêndio em uma escola. Ele também disse que um ataque a um centro comercial deixou pessoas presas em um abrigo.
Na região central da Ucrânia, bombardeios deixaram pelo menos sete pessoas feridas na região de Dnipropetrovsk e onze na região de Cherkasi, segundo autoridades regionais.
- Advertência -
O presidente Zelensky havia alertado no sábado sobre um iminente e massivo ataque russo contra o país.
"Observamos sinais de preparativos para um ataque combinado em território ucraniano, incluindo Kiev, com diversos tipos de armamento", declarou Zelensky.
A embaixada dos EUA em Kiev também "recebeu informações sobre um possível ataque aéreo de grande escala que poderia ocorrer a qualquer momento", segundo um comunicado em seu site.
Moscou já havia utilizado o míssil Oreshnik duas vezes desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022: em novembro de 2024 contra uma fábrica militar e em janeiro de 2026 contra uma fábrica aeronáutica no oeste da Ucrânia, perto das fronteiras da Otan.
Em ambos os casos, os mísseis não carregavam ogivas nucleares.
Vladimir Putin prometeu uma resposta militar após o ataque de drones ucranianos contra prédios educacionais em Starobilsk, no território ucraniano ocupado por Moscou, na noite de quinta-feira, que deixou pelo menos 18 mortos e mais de 40 feridos.
Kiev negou ter atacado civis e alegou que o ataque foi contra uma unidade de drones russa estacionada na região.
As negociações para pôr fim ao conflito, mediadas pelos Estados Unidos, estão suspensas desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada no final de fevereiro por ataques aéreos israelenses e americanos contra o Irã.
N.Esteves--PC