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EUA e Irã buscam finalizar acordo para pôr fim à guerra
Os Estados Unidos e o Irã avançaram nas negociações para um acordo que ponha fim à guerra, o qual, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, pode ser anunciado já neste domingo (24), embora não resolva a espinhosa questão do programa nuclear iraniano.
Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o acordo para encerrar a guerra com o Irã está "em grande parte negociado" e que inclui a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
O controle dessa passagem crucial para o comércio global de hidrocarbonetos tem sido um dos principais obstáculos no diálogo mediado pelo Paquistão desde o início da trégua entre Teerã e Washington, em abril.
"Acho que, talvez, haja a possibilidade de que, nas próximas horas, o mundo receba boas notícias", disse Marco Rubio à imprensa em Nova Délhi, onde se encontra em visita oficial.
Rubio afirmou que o acordo abordaria as preocupações de Washington em relação ao Estreito de Ormuz, quase totalmente bloqueado pelo Irã em resposta ao ataque de 28 de fevereiro, realizado por Israel e pelos Estados Unidos, que desencadeou a guerra.
- Questão nuclear adiada -
A questão do programa nuclear iraniano, contudo, seria abordada em negociações posteriores, segundo a mídia americana, o próprio Rubio e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.
Este último afirmou que estavam finalizando um memorando de entendimento com Washington, embora isso não implicasse "um acordo sobre as principais questões". A questão nuclear, por exemplo, não faz parte "desta etapa" das negociações, assegurou.
O jornal The New York Times, citando autoridades americanas, explicou que uma nova rodada de negociações "nas próximas semanas ou meses" abordaria como o Irã se desfará de seu estoque de urânio enriquecido.
Os Estados Unidos e Israel acreditam que o objetivo do programa é desenvolver armas nucleares, embora Teerã afirme que se destina exclusivamente a fins civis.
Segundo Rubio, o acordo proposto atualmente deve iniciar "um processo que pode, em última análise, nos levar aonde o presidente quer que estejamos, ou seja, um mundo que não precise mais temer ou se preocupar com uma arma nuclear iraniana".
A CBS News, citando fontes próximas às negociações, informou que a proposta inclui o desbloqueio de alguns ativos iranianos em bancos estrangeiros e a extensão das negociações por mais 30 dias, prazo também mencionado pelo The Wall Street Journal.
A agência de notícias iraniana Fars informou que as sanções sobre petróleo, gás e outros produtos petroquímicos seriam suspensas durante o período das negociações, permitindo que Teerã exportasse essas commodities essenciais.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que está mediando as negociações, aludiu neste domingo a uma resolução gradual do conflito e disse esperar "realizar a próxima rodada de negociações muito em breve".
- Estratégias divergentes -
Após semanas de impasse, Trump afirmou no sábado, em sua rede social Truth Social, que conversou por telefone com líderes dos países do Golfo, Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão.
Ele também conversou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma ligação "separada" que "correu muito bem", segundo Trump.
Nos últimos dias, veículos de imprensa americanos têm destacado estratégias divergentes entre os dois lados: enquanto Trump defendia a diplomacia, seu aliado israelense favorecia a retomada das hostilidades.
Em declarações à Axios no sábado, Trump estimou as chances de um "bom" acordo ou da retomada da guerra em "50-50".
No mesmo dia, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, prometeu uma resposta "esmagadora" caso os Estados Unidos retomassem sua ofensiva.
Ghalibaf havia acabado de se reunir em Teerã com o chefe do exército paquistanês, o marechal Asim Munir, figura-chave na mediação entre os dois lados.
A.P.Maia--PC