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Ícone da esquerda, advogado milionário e ferrenha opositora são favoritos na eleição presidencial da Colômbia
Um ícone da esquerda aliado do presidente Gustavo Petro, um excêntrico advogado milionário que encarna a linha dura da direita contra o crime e uma senadora opositora são os favoritos para as eleições presidenciais de domingo na Colômbia.
Iván Cepeda, senador, filósofo e defensor dos direitos humanos, lidera as pesquisas para suceder ao primeiro presidente de esquerda da história do país. Ele foi um dos arquitetos da "paz total", política com a qual o governo tentou, sem sucesso, negociar o desarmamento de todos os grupos armados.
Em seguida aparece Abelardo de la Espriella, ou "El Tigre", como se autodenomina este outsider de direita que busca pela primeira vez um cargo eletivo, após deixar para trás uma vida luxuosa na Itália.
Em terceiro lugar está Paloma Valencia, uma senadora que faz campanha ao lado de seu mentor, o influente ex-presidente Álvaro Uribe(2002-2010).
- Cepeda, sobrevivente do conflito -
A primeira aparição pública de Iván Cepeda ocorreu em 1994, ao lado do corpo de seu pai, senador e dirigente do Partido Comunista.
Diante da caminhonete crivada de balas por policiais aliados a paramilitares, ele pediu justiça diante das câmeras de televisão: "Que este crime não fique impune como o de tantos homens justos e valentes", disse em tom sereno.
A perseguição daqueles anos deixou mais de 5.700 dirigentes de esquerda assassinados.
Cepeda, de 63 anos, viveu em diferentes períodos no exílio, na Tchecoslováquia, Bulgária, Cuba e França.
Na Colômbia, tornou-se defensor das vítimas do conflito armado, trabalho pelo qual teve papel importante nas negociações do acordo de paz que levou ao desarmamento das Farc em 2016.
Seus adversários políticos o chamam de "herdeiro das Farc" e o criticam por ter idealizado a política de paz de Petro.
"Sobrevivi ao genocídio, à estigmatização e à perseguição implacável. E aqui continuo, de pé", disse durante a campanha.
Costuma vestir uma camisa tradicional caribenha sem gravata, peça que considera um símbolo da "oligarquia".
Admirador de Mahatma Gandhi, venceu Uribe nos tribunais após o ex-presidente ser condenado por manipulação de testemunhas paramilitares a 12 anos de prisão domiciliar.
Embora um juiz tenha posteriormente revogado a sentença, Cepeda consolidou-se como o principal adversário político do líder da direita colombiana e conquistou um lugar como ícone da esquerda.
- De la Espriella, o outsider -
Abelardo de la Espriella, de 47 anos, é um advogado e empresário milionário que entrou para a política, segundo ele, para impedir que a Colômbia seja "destruída" pela esquerda.
Ele é admirador de Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele.
Vestido com ternos impecáveis e, recentemente, com colete à prova de balas, já defendeu diversas personalidades do país, incluindo narcotraficantes e estrelas do futebol.
Antes de disputar a Presidência, vivia na cidade italiana de Florença. Promovia seus negócios de rum e vinho, viajava em jatos particulares e cantava ópera.
Para combater as máfias no país que mais produz cocaína no mundo, propõe uma aliança militar com Estados Unidos e Israel, a construção de megapresídios e defende o porte de armas.
"Em meu governo, bandido que não se submeter à Justiça será abatido", disse à AFP em fevereiro.
Também quer reduzir o tamanho do Estado e transformar seus embaixadores em comerciantes.
Ele se autodenomina "El Tigre" e, em suas peças de propaganda, sua imagem aparece fundida à de um felino.
Falante e de temperamento explosivo, afirmou que era preciso "estripar" a esquerda na Colômbia, embora depois tenha suavizado a declaração. Também fez comentários considerados homofóbicos e machistas, com frequentes referências a seus "testículos".
- Valencia, "filha" de Uribe -
Paloma Valencia pertence a uma das famílias mais poderosas do país. É neta do ex-presidente Guillermo León Valencia, conservador que enfrentou as primeiras guerrilhas colombianas, alinhado a Washington para conter qualquer sinal de comunismo no continente.
Aos 50 anos, seguiu os passos do avô com a ambição de se tornar a primeira presidente da Colômbia. No Congresso, tornou-se uma das vozes mais fortes contra os grupos armados e a esquerda.
Filósofa e advogada, é uma figura renovadora dentro do principal partido de oposição liderado por Álvaro Uribe.
Valencia, que considera Uribe seu "pai", acompanhou-o na oposição ao acordo de paz com as Farc.
A combativa senadora aposta em uma militarização nos moldes do ex-presidente, que encurralou as guerrilhas com apoio dos Estados Unidos.
"Vamos acabar com a paz total para impor a segurança total", declarou em um discurso em março.
Suas posições são conservadoras em relação aos direitos da comunidade LGBTIQ+ e ela propõe a exploração de hidrocarbonetos por meio do fraturamento hidráulico (fracking).
S.Pimentel--PC