Colômbia adota guerra de drones contra as guerrilhas
Colômbia adota guerra de drones contra as guerrilhas / foto: Raul ARBOLEDA - AFP

Colômbia adota guerra de drones contra as guerrilhas

Um drone militar adaptado com um lança-granadas rompe o silêncio dos Andes. Suspenso no ar, fixa um alvo e deixa cair uma carga com TNT que ressoa na montanha. Assim a Colômbia entra na guerra de drones para enfrentar as guerrilhas.

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O piloto aciona por controle remoto um sistema que permite a queda perpendicular do projétil. "Bum!", soa quando toca o solo e levanta uma nuvem de poeira e pedras.

Capaz de destruir tudo em um raio de 15 metros, esta é a nova tecnologia disponível para as Forças Armadas em um país que sangra por mais de seis décadas de conflito.

Há meses, as guerrilhas financiadas pela cocaína e pela mineração ilegal mostram força ao presidente de esquerda, Gustavo Petro, com ataques de drones carregados de explosivos e adaptados artesanalmente, mas letais.

Agora, as Forças Armadas responderão com drones capazes de lançar três granadas de calibre 60 de alturas de até 1.000 metros.

A AFP acompanhou com exclusividade uma demonstração em Sogamoso, município a cerca de 210 quilômetros de Bogotá onde fica uma das unidades da Indústria Militar (Indumil), empresa encarregada de fabricar armamentos e explosivos para as forças de segurança.

Uma a uma, em uma operação minuciosa, 16 granadas caíram em um campo de testes.

Isso "nos coloca de igual para igual, em igualdade de condições" contra os grupos ilegais, diz Andrés Julián Salamanca, engenheiro eletrônico de 37 anos que participou da criação do sistema.

A nova tecnologia dá seus primeiros passos a poucos dias das eleições presidenciais de 31 de maio e em meio à pior onda de violência da última década.

- Novo paradigma -

A Colômbia será um dos poucos países da América Latina que usam drones armados para enfrentar o crime.

Esses dispositivos mudaram o paradigma para o Exército colombiano, que enfrentou durante décadas guerrilhas como as Farc, antes de seu desarmamento com o acordo de paz de 2016.

O Estado respondeu a elas especialmente com bombardeios de poderosos aviões militares, em uma luta apoiada pelos Estados Unidos.

Inspirados na guerra entre Ucrânia e Rússia, os voos não tripulados são agora uma das principais ferramentas dos grupos ilegais para cometer ataques contra civis e militares em regiões de topografia difícil.

Os drones, geralmente adquiridos pela internet, são usados contra escolas, povoados indígenas e bases militares. O zumbido de um drone no ar é sinônimo de terror em áreas isoladas.

Em 2025, ao menos 8.000 ataques desse tipo deixaram 20 mortos e quase 300 feridos, segundo o ministro da Defesa.

Eles são, em boa medida, responsáveis pelo recrudescimento da violência em um país que votará no domingo para escolher o sucessor do primeiro governo de esquerda da história da Colômbia.

As pesquisas preveem um segundo turno em junho entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro e negociador de paz com os grupos armados, e o direitista Abelardo de la Espriella, advogado milionário que promete linha dura.

"Os drones são uma parte essencial da guerra hoje em dia, são cada vez mais baratos, são mais letais", diz Willy Gaitán, gerente da unidade da Indumil em Sogamoso, onde as granadas são fabricadas a partir de moldes de cera.

A companhia começou a projetar os lança-granadas em outubro de 2023, após um pedido do ministro da Defesa, Pedro Sánchez.

Por ordem de Petro, o país também colocou em marcha um projeto de mais de 1,6 bilhão de dólares (R$ 8,1 bilhões) para adquirir um sistema antidrones.

- "Entre o gato e o rato" -

A indústria militar colombiana celebra esses desenvolvimentos como um salto tecnológico na guerra contra as organizações armadas.

Petro promove a fabricação de armamentos na Colômbia depois de suspender, em 2024, as alianças com Israel, um de seus principais parceiros militares.

A Indumil agora busca ampliar a quantidade de granadas que um drone pode carregar e aumentar o calibre dos projéteis para ampliar seu poder destrutivo.

"É uma guerra de gato e rato, à medida que as milícias ganham capacidades, o Estado busca como mitigá-las", diz Salamanca.

H.Portela--PC