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Israel e Hezbollah mantêm ataques enquanto diplomatas se reúnem em Washington
Israel e o Hezbollah mantiveram seus confrontos nesta terça-feira (2), enquanto delegados israelenses e libaneses se reuniam em Washington para uma nova rodada de negociações com o objetivo de pôr fim ao conflito, em meio a acusações dos Estados Unidos de que o grupo pró-Irã impede um acordo de paz.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou que o Hezbollah é "o único obstáculo" para a paz entre Israel e o Líbano. Representantes desses dois países, que não mantêm relações diplomáticas, foram recebidos hoje no Departamento de Estado. Rubio não compareceu, e nenhum dos participantes deu declarações.
Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, havia afirmado em sua rede Truth Social que esperava que Israel e Hezbollah moderassem suas hostilidades, e garantiu que as duas partes se comprometeram com um cessar-fogo efetivo.
O Hezbollah "concordou em deixar de disparar contra Israel e seus soldados. Da mesma forma, Israel concordou em deixar de disparar contra eles. Vejamos quanto isso dura; tomara que seja pela ETERNIDADE!", escreveu o magnata.
No entanto, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou hoje que os Estados Unidos haviam "validado o princípio" segundo o qual seu país poderia atacar o subúrbio sul se o Hezbollah continuasse seus ataques contra o território israelense.
As agressões não cessaram, apesar da entrada em vigor de uma suposta trégua em 17 de abril. O Exército de Israel atacou hoje cerca de 20 localidades, enquanto o Hezbollah reivindicou a autoria de ataques contra os militares israelenses que ocupam parte do sul.
Netanyahu declarou que pretende "esmagar" o Hezbollah no sul do Líbano, para proteger o norte de seu país dos ataques do grupo.
"Sem o Irã, o Hezbollah não existiria", enfatizou Rubio, em audiência no Senado. Ele ressaltou que os Estados Unidos, que atuam como mediadores, insistem em separar as negociações entre Israel e o Líbano daquelas com o Irã, o que Teerã rejeita.
- 'Sem interrupção' -
Trump afirmou que as conversas com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio iniciada em fevereiro continuam "sem interrupção", apesar de informações de que Teerã havia suspendido o diálogo devido à ofensiva israelense no Líbano.
Netanyahu ameaçou ontem bombardar o subúrbio do sul de Beirute, após apontar "repetidas violações" do cessar-fogo por parte do Hezbollah. Nesse reduto do grupo na capital libanesa, muitas lojas permaneceram fechadas nesta terça-feira, enquanto um drone sobrevoava a região.
Na cidade histórica de Tiro, o hospital Jabal Amel voltou a funcionar, um dia após um ataque israelense que deixou 39 funcionários feridos. Enquanto equipes removiam pedaços de vidro e escombros, o médico Nasser Masri exibia em seus braços um recém-nascido, "uma mensagem de vida e esperança".
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, reiterou que as negociações com Israel continuam sendo "a opção menos custosa para o Líbano". Segundo a embaixada libanesa em Washington, o acordo implica primeiramente em pôr fim aos ataques israelenses contra Beirute, e, depois, aos ataques do Hezbollah contra o território de Israel.
"Se um acordo geral de cessar-fogo for alcançado", o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que atua como intermediário entre o Hezbollah e os Estados Unidos, garantirá que o movimento pró-Irã o respeite, disse seu assessor à AFP.
Uma autoridade do Hezbollah ressaltou à agência que o grupo não aceitará "um cessar-fogo parcial" com Israel. "O inimigo sionista deve saber que qualquer agressão contra os subúrbios de Beirute pode provocar uma resposta mais profunda e contundente".
G.Teles--PC