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Milhares marcham na Bolívia contra governo, que avalia decretar estado de exceção
Milhares de trabalhadores marcharam nesta quarta-feira (10) no centro da capital política da Bolívia para exigir a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, que avalia decretar estado de exceção para conter os protestos que começaram há cinco semanas.
"O que queremos? Renúncia!", gritavam os camponeses, operários, mineiros, professores e transportadores que avançavam pelas ruas de La Paz, sede do governo, em meio ao barulho de fogos de artifício.
Os manifestantes rejeitam as propostas de reformas de Paz, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), e a falta de resultados para tirar o país da pior crise econômica em quatro décadas.
"Alguns querem vender e destruir o país. E, como verdadeiros bolivianos, não vamos permitir isso", disse à AFP Omar Hancco, mineiro de 44 anos de Oruro (sul), que viajou mais de 380 km para participar do protesto.
Vestidos com ponchos e alguns usando capacetes, os grevistas tentaram chegar à praça principal, onde fica o Palácio do Governo, mas foram facilmente dispersados por policiais de choque com gás lacrimogêneo.
Paz, há sete meses no poder, denunciou na segunda-feira que os protestos que pedem sua saída são impulsionados por "narcoterroristas" e promulgou uma lei que agora lhe permite declarar estado de exceção.
Com essa medida, seriam restringidas as liberdades de reunião e circulação, fundamentais para a realização de protestos, e as Forças Armadas poderiam apoiar a polícia na remoção de dezenas de bloqueios de estradas que sufocam as principais cidades do país.
Em La Paz e na vizinha El Alto, agrava-se a escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos. Os preços de carnes e hortaliças dobraram nos mercados, e alguns motoristas dormem dentro de seus veículos nas filas dos postos de combustíveis.
Segundo o governo, os prejuízos econômicos causados pelos bloqueios ultrapassam US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões).
Os principais sindicatos envolvidos nos protestos rejeitaram os apelos ao diálogo feitos pelo governo.
M.A.Vaz--PC