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Trump cancela ataques previstos contra Irã e cita possível acordo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (11) que cancelou os ataques previstos para este mesmo dia contra o Irã, após ameaçar bombardear a república islâmica e tomar seus terminais petrolíferos, além de mencionar um possível acordo em gestação.
Os Estados Unidos se expõem a um "atoleiro sem fim" no Irã, advertiu Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador e presidente do Parlamento iraniano.
O chefe das Forças Armadas do Irã, o general Ali Abdollahi, assegurou que um novo ataque dos Estados Unidos receberia "uma resposta mais dura do que antes, e as chamas da guerra, além de criar insegurança na região, se espalhariam".
Trump havia publicado anteriormente em sua rede social, Truth Social, que o Exército americano atacaria o Irã "MUITO FORTEMENTE ESTA NOITE", após novos ataques mútuos entre os dois países.
"Em algum momento, em um futuro não muito distante, tomaremos a ilha de Kharg e outros pontos da infraestrutura petrolífera, e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, de maneira muito semelhante ao que fizemos com a Venezuela", acrescentou em sua mensagem.
No entanto, o mandatário anunciou mais tarde que cancelava os ataques previstos. "Considerando que as conversas com a República Islâmica do Irã foram vistas e aprovadas pelas mais altas autoridades iranianas, cancelei (...) os ataques e bombardeios", escreveu na Truth Social.
"As conversas e os últimos pontos foram, em princípio e em detalhe, aprovados por todas as partes envolvidas", prosseguiu, citando entre outros os países do Golfo, a Turquia e Israel.
Apesar da trégua em vigor desde 8 de abril, até agora amplamente respeitada — além de declarações ameaçadoras e hostilidades pontuais —, a violência foi retomada nos últimos dias entre Estados Unidos e Irã.
Países como Rússia, China, Turquia e Arábia Saudita pediram um retorno à mesa de negociações. O mesmo fez o Paquistão, principal mediador desse conflito, embora sua chancelaria tenha reconhecido que era "difícil manter o otimismo" nesse cenário.
A guerra no Oriente Médio, e principalmente o bloqueio do Estreito de Ormuz, elevaram os preços da energia, provocando uma inflação mais acentuada.
O Banco Mundial reduziu sua previsão de crescimento da economia global para 2026 para 2,5%, seu nível mais baixo desde a pandemia de covid-19.
- Uma brecha "profunda" -
Em Teerã, um farmacêutico de 35 anos chamado Majid disse estar "profundamente preocupado".
"A brecha entre os dois países é profunda demais para esperar uma solução diplomática", afirmou.
Durante a noite anterior, as tropas americanas afirmaram ter atacado "centros de vigilância militar iranianos, sistemas de comunicação e instalações de defesa antiaérea em todo o país".
O Irã respondeu com cerca de vinte mísseis contra uma base americana na Jordânia e com ataques ao Bahrein e ao Kuwait, países aliados de Washington no Golfo que também abrigam tropas americanas.
Segundo o Kuwait, os ataques iranianos atingiram um radar do aeroporto e causaram feridos.
A autoridade iraniana responsável pela gestão do Estreito de Ormuz declarou, por sua vez, seu fechamento total "até nova ordem".
Desde 28 de fevereiro, quando os ataques israelenses e americanos desencadearam a guerra, Teerã restringe a navegação por essa via crucial para o comércio de hidrocarbonetos, embora até então permitisse a passagem de cerca de vinte navios por dia.
Após o anúncio de Trump sobre as negociações, os preços do petróleo caíram 3%.
As tensões se concentram nessa passagem marítima, onde os Estados Unidos impõem, de seu lado, um bloqueio naval ao Irã.
O comando militar americano para a região, o Centcom, anunciou nesta quinta-feira que neutralizou um petroleiro na costa de Omã que tentava driblar esse bloqueio. A casa de máquinas incendiou-se e a tripulação foi evacuada.
No dia anterior, suas forças já haviam atacado outro petroleiro na região, no qual morreram três marinheiros indianos.
Por sua vez, a Marinha iraniana anunciou ataques contra "dois navios" que tentavam atravessar "ilegalmente" o Estreito de Ormuz apesar do fechamento total decretado por Teerã.
- 38ª promessa de acordo -
A escalada começou na terça-feira, depois que Trump prometeu pela 38ª vez, segundo uma contagem da CNN, que um acordo de paz era iminente.
"Estávamos realmente perto de um acordo, mas eles continuam nos enrolando, continuam nos fazendo de idiotas", disse o líder americano na quarta-feira à imprensa.
Antes dessa nova escalada entre Teerã e Washington, entre domingo e segunda-feira também ocorreram ataques diretos entre Israel e Irã, os primeiros desde a implementação da trégua.
O estopim foi um bombardeio israelense contra os subúrbios de Beirute, reduto do movimento pró-iraniano Hezbollah, que em março abriu uma segunda frente na guerra ao atacar Israel em apoio a Teerã.
A república islâmica exige que qualquer acordo de paz para a guerra regional inclua também um cessar-fogo no Líbano, onde as operações israelenses deixaram mais de 3.700 mortos neste conflito.
Nesta quinta-feira, dez integrantes da equipe de um hospital da cidade de Tiro ficaram feridos em um bombardeio israelense, informou à AFP o diretor da unidade.
burs-mjw/hmn/mas/dbh/fp/aa/am
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