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Anthropic suspende acesso à sua IA mais poderosa por ordem do governo dos EUA
A empresa americana de inteligência artificial (IA) Anthropic anunciou que suspendeu o acesso à versão mais poderosa de sua tecnologia em cumprimento a uma ordem do governo dos Estados Unidos que invoca um risco à segurança nacional.
A Anthropic, criadora do chatbot Claude, informou na noite de sexta-feira (12) o bloqueio de seus dois novos modelos disponibilizados ao público na terça-feira (9): sua versão altamente restrita Mythos 5 e sua variante limitada para o grande público, Fable 5.
O governo de Donald Trump ordenou, com base nas regras de controle de exportações, o corte de acesso a esses modelos para "qualquer cidadão estrangeiro, dentro ou fora dos Estados Unidos", incluindo "funcionários estrangeiros" da Anthropic.
Sem conseguir filtrar seus usuários, a empresa afirma que foi obrigada a "desativar abruptamente" ambos os modelos para todos os clientes.
Segundo o portal americano Axios, a diretriz partiu do secretário de Comércio, Howard Lutnick. O governo teria emitido a ordem após tomar conhecimento de que uma empresa conseguiu contornar as salvaguardas implementadas para esses modelos, conhecidos por detectar e explorar falhas de cibersegurança com rapidez e precisão sem precedentes.
A Anthropic contestou a decisão, que atribuiu a "um mal-entendido".
"Não concordamos que a descoberta de uma possível vulnerabilidade (...), embora limitada, deva ser motivo para retirar um modelo comercial já utilizado por centenas de milhões de pessoas", afirmou a empresa em comunicado.
A empresa acrescentou que a medida poderia "praticamente paralisar" os lançamentos de modelos de IA de ponta em todo o setor. A Anthropic afirmou ainda que trabalha para restabelecer "o mais rápido possível" o acesso às ferramentas suspensas.
- "Interesses nacionais" -
Fundada em 2021 pelos irmãos Dario e Daniela Amodei e por outros ex-executivos da OpenAI, a Anthropic defende há anos uma regulação pública da inteligência artificial. Em um ensaio publicado nesta semana, Dario Amodei defendeu auditorias obrigatórias para os modelos mais avançados.
Mas isso deve ocorrer "no âmbito de um procedimento legal transparente, justo, claro e baseado em fatos técnicos", afirmou a empresa. A diretriz de sexta-feira "não respeita esses princípios", acrescentou.
No início de junho, Trump adotou um mecanismo de supervisão facultativa do governo sobre os modelos mais avançados, uma mudança de rumo em uma administração até então marcada pela resistência a regulações consideradas obstáculos à competição com a China.
O Fable 5 é o primeiro modelo disponibilizado ao público da classe Mythos, a linha mais avançada da Anthropic. A empresa revelou a existência do Mythos em abril, mas restringiu seu uso a um consórcio de empresas e instituições devido às suas capacidades de realizar ataques de cibersegurança.
A segurança, que a Anthropic transformou em um de seus principais argumentos comerciais, já a colocou em rota de colisão com o governo Trump. Em março, o Pentágono rescindiu contratos com a empresa, apontada como um "risco para a cadeia de suprimentos". A Anthropic afirma ter sido punida por se recusar a permitir que sua tecnologia fosse usada para vigilância em massa ou armas autônomas.
Avaliada em cerca de 1 trilhão de dólares (R$ 5,5 trilhões), a empresa anunciou em 1º de junho que apresentou seu pedido de abertura de capital na bolsa, assim como sua rival OpenAI.
V.F.Barreira--PC