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Colômbia decide entre esquerda no poder e candidato alinhado a Trump
Um advogado antissistema apoiado por Donald Trump e um aliado do primeiro governo de esquerda da Colômbia definirão em um disputado segundo turno presidencial, no domingo (21), se o país vira para a direita ou mantém o rumo atual em meio a uma onda de violência.
Após um primeiro turno em 31 de maio que expôs um país fragmentado, o próximo presidente colombiano será Abelardo de la Espriella, de extrema direita, ou o senador de esquerda Iván Cepeda.
Sem possibilidade de reeleição, o presidente Gustavo Petro termina seu governo com alta popularidade entre as classes mais baixas, favorecidas por uma redução da pobreza, salários mais altos e menor desemprego em um dos países mais desiguais do mundo.
Mas outra metade do país o responsabiliza pela pior onda de violência da última década, marcada por atentados com carros-bomba, drones explosivos e o assassinato de um candidato presidencial.
"A única coisa que peço é que o próximo presidente imponha pulso firme (...) Há insegurança demais", diz à AFP Ariel Jamaica, um militar aposentado de 48 anos em Bogotá.
Apelidado de "El Tigre", de 47 anos, milionário, sem experiência política e normalmente protegido por um colete à prova de balas, De la Espriella encarna a rejeição a Petro e o projeto de enfrentar sem trégua as guerrilhas e os narcotraficantes no país com a maior produção de cocaína do mundo.
No primeiro turno, ele superou por margem estreita Cepeda, um filósofo de 63 anos, defensor dos direitos humanos e peça-chave nas políticas de paz com as quais Petro tentou, sem sucesso, negociar com os grupos que permaneceram armados após o acordo com as Farc em 2016.
O segundo turno é também um referendo sobre o primeiro governo de esquerda na Colômbia. "Os dois lados têm seguidores muito fervorosos (...) mas há outra parte do país que está votando por medo do outro modelo, que considera prejudicial", diz Julián López, especialista da consultoria Nalanda Analytica.
- "Pela força" -
Nesse grande tabuleiro da região, disputado pela direita apoiada por Trump e por uma esquerda no poder em grandes países como Brasil e México, os colombianos decidem se Petro foi um breve intervalo em uma história dominada por elites conservadoras por mais de 200 anos.
O ex-guerrilheiro que assinou a paz espera repetir o milagre com Cepeda, depois de ter conseguido desvincular a imagem da esquerda das guerrilhas marxistas que, por seis décadas, alimentaram o conflito armado.
Com uma continência seguida pelo lema "firmes pela pátria!", De la Espriella busca capitalizar a rejeição a Petro.
Admirador de Trump e dos presidentes Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina, "El Tigre" promete linha dura: construir megapresídios onde os detentos se alimentem de "pão e água" e fiquem "10 andares abaixo da terra", bombardear o narcotráfico com apoio de Washington e de Israel e eliminar o tribunal surgido do acordo de paz.
"Vou defender a Colômbia pela razão ou pela força, de Petro e de qualquer outra alimária", disse o advogado conhecido por representar paramilitares narcotraficantes e estrelas do futebol. Chovem críticas por comentários frequentes machistas e homofóbicos.
De nacionalidades colombiana e americana, ele já disse que o "ideal" seria dolarizar a economia, liberar o fracking, cortar o Estado em 40% e reduzir impostos para diminuir um déficit fiscal de quase 7% do PIB.
"Estou preocupado porque um candidato tenta proteger o meio ambiente e o outro tenta destruí-lo. De quê vamos viver?", diz Kevin Guetivo, agricultor de 28 anos no departamento amazônico de Putumayo.
- Polarização -
O narcotráfico tensionou a relação entre Petro e Trump, com uma crise que escalou a insultos e quase arruinou uma cooperação entre países historicamente aliados.
Os mandatários se reuniram uma única vez em fevereiro na Casa Branca para aparar arestas, mas se afastaram novamente após o apoio de Trump a De La Espriella.
Filho de um político comunista assassinado por agentes do Estado em aliança com paramilitares, Cepeda qualifica Trump como um "magnata convicto" e adverte que a Colômbia não será "colônia" dos Estados Unidos.
"Aos colombianos não importa muito o conteúdo das propostas políticas dos candidatos, e sim as emoções que despertam", diz Sergio Guzmán, diretor da Colombia Risk Analysis.
Defensor das vítimas do conflito, Cepeda moderou algumas de suas propostas após o primeiro turno e disse à AFP que está disposto a revisar as políticas de paz de Petro.
O senador é conhecido por levar aos tribunais o popular ex-presidente Álvaro Uribe, considerado o pai da direita colombiana, por seus supostos vínculos com paramilitares.
"Sinto dor por essa polarização, a única coisa que nos leva é a matar uns aos outros", diz Gabriela Zambrano, química de 24 anos.
O.Gaspar--PC