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Irã e EUA voltam à Suíça para negociar o fim da guerra no Oriente Médio
Estados Unidos e Irã retomaram neste domingo (21), na Suíça, as negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio, apesar do anúncio iraniano do fechamento do Estreito de Ormuz.
O acordo-quadro assinado por Teerã e Washington na quarta-feira passada estabelece um período de 60 dias, renovável, para as discussões, que abordarão, entre outros temas, o programa nuclear iraniano.
No entanto, desde a assinatura, os obstáculos vêm se acumulando. O Irã exige que as negociações incluam um cessar-fogo no Líbano entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah.
No sábado, diante da continuação dos bombardeios israelenses, o Irã anunciou em represália o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
O vice-presidente americano, JD Vance, aterrissou no início da manhã deste domingo na base aérea de Emmen, perto de Lucerna, no centro da Suíça, segundo seu porta-voz.
As negociações foram marcadas em um hotel de luxo em Bürgenstock, uma montanha que domina o lago de Lucerna.
A delegação do Irã chegou no sábado e, segundo a televisão estatal iraniana, é composta pelo principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf (também presidente do Parlamento), pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e pelo presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati.
A delegação do Paquistão, que atua como mediadora, chegou neste domingo e inclui o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o comandante do Exército, Asim Munir.
- "Todos têm medo" -
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, advertiu no sábado os Estados Unidos de que o acordo‑marco estará "em perigo" se suas cláusulas não forem aplicadas rapidamente, em alusão à situação no Líbano.
Os ataques israelenses causaram dezenas de mortos no sábado no leste e no sul do país, mas foram interrompidos ao fim do dia, indicou um correspondente da AFP, quando o Exército israelense recebeu ordem para cessar os confrontos com o Hezbollah. "Todos têm medo", disse à AFP Fadi Zayat, morador de Tayr Debba, no sul.
O Exército israelense anunciou que um de seus soldados morreu no sábado na região.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio com lançamentos de foguetes contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, assassinado nos ataques americano‑israelenses contra Teerã que desencadearam a guerra, em 28 de fevereiro.
Desde então, as operações israelenses no Líbano provocaram 4.057 mortes, segundo o último balanço do Ministério da Saúde. Antes de sua partida para a Suíça, o vice-presidente dos Estados Unidos assegurou que, apesar de tudo, a situação "está melhorando".
Após os novos confrontos no Líbano, o comando central do Exército iraniano anunciou que o Estreito de Ormuz seria fechado ao tráfego marítimo em resposta à "violação dos compromissos por parte do inimigo".
A reabertura do estreito é um dos pontos‑chave do protocolo de acordo entre os Estados Unidos e o Irã.
O Irã havia bloqueado, no início da guerra, essa via marítima estratégica, por onde costumavam transitar cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais, o que provocou um aumento dos preços do petróleo.
Após o anúncio do Irã sobre seu novo fechamento, o comando americano para o Oriente Médio (Centcom) indicou que suas forças permaneciam "vigilantes".
Segundo o Centcom, 55 navios mercantes cruzaram o estreito em segurança no sábado.
burx-roc/mas-pc/mmy/jc
Nogueira--PC