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Relatório policial critica atuação do Marrocos na crise em Ceuta
Um relatório da polícia espanhola critica "a permissividade" dos policiais marroquinos e seu efetivo "sensivelmente menor do que o habitual" durante a crise gerada pela entrada em massa de imigrantes em Ceuta no fim de julho.
Divulgado pelo veículo digital El Español, o documento, ao qual a AFP teve acesso nesta quarta-feira (2), deixa em situação delicada o governo da Espanha, que sempre isentou o Marrocos de responsabilidade pela entrada de dezenas de milhares de imigrantes naquele território espanhol em 30 e 31 de julho.
O Ministério do Interior divulgou respostas de autoridades policiais, segundo as quais "não foi emitido nenhum relatório que atribui a autoria da ação a algum governo, serviço ou pessoa, uma vez que sua autoria intelectual é desconhecida".
Investigadores do Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (Cenif) fizeram observações sobre a crise do fim de julho em um documento. "Além das celebração dos atos oficiais do Dia do Trono em Rincón/M'Diq [30 de julho], o certo é que as manifestações de uma amostra importante de imigrantes que entraram em Ceuta coincidem com um contingente policial no entorno da fronteira sensivelmente menor do que o habitual."
"Nos dias 30 e 31 de julho, a resposta policial no Marrocos à mobilização e entrada em massa de imigrantes em Ceuta foi de total permissividade", sem "nenhuma tentativa séria de tentar reduzir, dispersar ou afastar a massa de pessoas do perímetro da fronteira", destacaram os investigadores.
- 'Conduta de facilitação' -
"Além disso, as manifestações dos imigrantes entrevistados e as sequências de vídeo compartilhadas pela imprensa e em redes sociais mostram atitudes compatíveis com uma conduta de facilitação da imigração irregular", apontaram os investigadores.
Esses elementos deixam em situação complicada o Executivo de Pedro Sánchez, que, nesta semana, voltou a isentar o Marrocos de qualquer responsabilidade pelo ocorrido: "Não há nenhuma informação" de serviços policiais e de inteligência espanhóis que levante "alguma dúvida sobre a participação das autoridades marroquinas."
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, pediu hoje ao diretor-geral da Polícia que lhe informasse sobre o conteúdo do relatório do Cenif. O diretor negou a existência de um documento que envolvesse as forças de ordem marroquinas na entrada em massa de imigrantes em Ceuta, refutação repetida nesta noite pelo Ministério do Interior.
Para analistas, a crise pode ter sido uma mensagem enviada à Espanha pelo reino marroquino sobre a questão do Saara Ocidental, após uma visita de Sánchez a Argel em julho. Ex-colônia espanhola, esse território é controlado em grande parte pelo Marrocos, mas reivindicado pelos separatistas da Frente Polisário, apoiados pela Argélia.
Ferreira--PC