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Secretário de Energia dos EUA supervisiona acordos de petróleo na Venezuela
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, supervisionou nesta quarta-feira (2), em Caracas, a assinatura de acordos com multinacionais petroleiras, após um acordo que concedeu a seu país o controle de 20% das reservas de petróleo da Venezuela.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou dias atrás "o maior acordo petroleiro da História", que concede a Washington o controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo venezuelanas.
Wright negou que os Estados Unidos estejam roubando os recursos petroleiros da Venezuela, ao responder a críticas feitas após o acordo. "Os recursos, o petróleo da Venezuela, pertencem efetivamente ao povo venezuelano", garantiu Wright à AFP, na pista do aeroporto de Maiquetía.
"As empresas privadas aportam o dinheiro para produzir o petróleo, mas os lucros e os impostos vão todos para o governo e o povo da Venezuela", ressaltou o secretário.
Wright se reuniu no Palácio de Miraflores com a presidente encarregada, Delcy Rodríguez, e disse esperar que os acordos tragam "paz" e "prosperidade" para a Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta.
A americana Chevron, maior produtora privada na Venezuela, e a italiana Eni assinaram contratos que aumentam sua participação em várias jazidas. Caracas também firmou convênios com a empresa GE Vernova, para renovar a rede elétrica do país.
- Investimentos e empregos -
"Os acordos assinados hoje, com bilhões de dólares em investimentos e, finalmente, a criação de muitos empregos, são essenciais para começar a trazer paz, oportunidades e prosperidade para todos", declarou o secretário de Energia americano.
Wright disse ao canal de TV CNBC que a produção venezuelana, atualmente de 1,2 milhão de barris por dia (b/d), "superará os dois milhões de b/d até o final desta década".
Delcy Rodríguez agradeceu a Trump pelo acordo histórico assinado em 28 de agosto. "Estamos falando do futuro da Venezuela e hoje também assinamos acordos de exploração. Entramos em uma nova etapa de exploração de novos campos e novas oportunidades para a Venezuela."
Trump considerou que a Venezuela "não está pronta" para realizar eleições, e Rodríguez concordou com ele pouco depois. "Haverá um processo eleitoral, mas nas condições em que a Venezuela estiver preparada", afirmou a mandatária.
Mike Wirth, diretor-executivo da Chevron, afirmou que a petrolífera espera "investir mais de 7 bilhões de dólares e dobrar a produção" para mais de 500 mil b/d nos próximos cinco anos.
Esses acordos contemplam novas concessões na Faixa do Orinoco e termos legais, fiscais e comerciais atualizados, informou a empresa em um comunicado.
A Venezuela afirma que a produção de petróleo aumentou quase 30% desde a derrubada de Nicolás Maduro em uma operação militar americana em 3 de janeiro. Mas o número ainda está distante dos 3 milhões de b/d que a Venezuela chegou a produzir no fim dos anos 1990.
Delcy Rodríguez foi vice-presidente de Maduro até sua captura, quando se tornou presidente interina. Sob pressão de Washington, promoveu recentemente uma reforma que abriu o setor de petróleo e mineração ao capital privado.
Delcy afirmou que esse grande acordo com os Estados Unidos proporcionará à Venezuela ganhos de 209 bilhões de dólares (R$ 1,07 trilhão) ao longo de 25 anos. O convênio inclui campos de petróleo antes administrados por empresas da Rússia e da China.
Washington está envolvida em uma guerra com o Irã que provocou uma forte alta nos preços do óleo bruto. Conseguir petróleo mais barato é uma prioridade para Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, nas quais seu Partido Republicano poderia perder o controle do Congresso. Especialistas estimam, no entanto, que o efeito desse acordo só será percebido daqui a alguns anos.
Informou ainda que "a Nabep concedeu ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos Estados Unidos uma participação acionária de 35% em sua empresa controladora".
A Nabep foi fundada pelo venezuelano Alejandro Betancourt, que enriqueceu com negócios pouco transparentes durante os governos de Hugo Chávez (1999-2013) e Nicolás Maduro, e que enfrentou processos judiciais na Espanha e na Suíça por lavagem de dinheiro.
"A Nabep demonstrou um histórico extremamente bem-sucedido na produção de grandes volumes de petróleo na Venezuela. Esse é um parceiro comercial em quem podem confiar", defendeu Wright nesta quarta-feira.
X.Brito--PC