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Presidente da Agência Espacial Europeia promete 'transformação' do setor
O presidente da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), Josef Aschbacher, prometeu "uma transformação do setor espacial na Europa" nos próximos anos, em uma entrevista à AFP.
A ESA vai apostar mais na indústria como um verdadeiro "parceiro", afirmou Aschbacher à margem do grande encontro anual da indústria espacial em Colorado Springs, nos Estados Unidos.
Trata-se da mesma estratégia utilizada pela Nasa, que planeja, por exemplo, enviar seus astronautas para estações espaciais comerciais privadas, após o fim das operações da Estação Espacial Internacional (ISS).
As grandes diretrizes europeias sobre questões espaciais devem ser discutidas no segundo encontro de cúpula espacial do continente europeu, que acontecerá em novembro em Sevilha, na Espanha.
P: Quando saberemos mais sobre a futura visão europeia do espaço?
R: Na cúpula do espaço no final do ano, acho que teremos uma imagem mais clara de qual é a ambição da Europa para a próxima década. Quais são as decisões que devemos preparar hoje para alcançá-la. Há muito trabalho sendo realizado agora na Europa. Eu preparo os cenários, e preparo os fatos, para que os políticos possam tomar as decisões. Isso vai depender deles.
P: Quais são os diferentes cenários?
R: Esta será uma abordagem progressiva. Certamente, o primeiro passo consiste em transportar as cargas para a órbita baixa da Terra, para estações comerciais (...) já que a ISS será desmontada no final da década. Precisamos de uma presença europeia em órbita baixa no futuro para continuar nossa pesquisa [científica]. O segundo ponto é posicionar os astronautas em órbita baixa.
O próximo bloco é a Lua. Isso significa uma primeira remessa não apenas para a Lua, mas da Lua, e depois de astronautas para a Lua. Existe a perspectiva de longo prazo de ir além da Lua para Marte, mas isso ainda está longe.
Portanto, para esses vários cenários, desenvolveremos as arquiteturas. O que isso significa, que equipamento, qual é o custo estimado...
Mas também está claro que esta será uma abordagem diferente, comparada à atual. Esta será uma transformação do setor espacial na Europa, que também vemos aqui nos Estados Unidos.
P: O que entendemos por transformação?
R: Certamente a indústria será convidada a ser parceira e não apenas contratante. E nós, a ESA, não somos apenas um cliente, mas um parceiro. Isso significa desenvolver tecnologia com e para eles. Eles devem se envolver e se comprometer.
Fornecemos uma estrutura e garantia a longo prazo, somos um cliente de longo prazo, mas eles devem oferecer a solução. Realmente queremos torná-los em um motor nesta nova construção de arquitetura. E que invistam com seu dinheiro, que pode vir de fontes próprias. Esta é verdadeiramente uma nova maneira de construir um programa espacial.
A.Magalhes--PC