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Telescópio James Webb descobre seu primeiro exoplaneta
O telescópio espacial James Webb (JWST) descobriu seu primeiro exoplaneta por meio de imagens, algo inédito para corpos celestes de tamanho semelhante aos do Sistema Solar. Até agora, estes corpos só haviam sido detectados por sua influência gravitacional ou por escurecer sua estrela quando passam diante dela, pois a pouca luz que refletem é oculta pela de seu astro.
Desde 2022, em sua posição de observação situada a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, o JWST "passou muito tempo observando planetas que nunca haviam sido captados em imagem", disse à AFP a astrofísica Anne-Marie Lagrange, primeira autora do estudo sobre o tema publicado na Nature nesta quarta-feira (25).
O exercício é complicado porque os exoplanetas "são muito pouco luminosos", mas também, e sobretudo, porque "somos ofuscados pela luz da estrela ao redor da qual giram", acrescentou esta pesquisadora no Laboratório de Instrumentação e Pesquisa em Astrofísica do Observatório de Paris.
A façanha do James Webb se deve ao seu coronógrafo, instrumento que se inspira no fenômeno do eclipse solar ao ocultar a estrela para revelar melhor o que a rodeia, e por seu espectrógrafo MIRI, capaz de captar os astros mais discretos graças à visão infravermelha.
Os especialistas apontaram o telescópio para a estrela TWA 7, situada a cerca de cem anos-luz da Terra. O objetivo, inicialmente detectado pelo telescópio Hubble, era promissor.
A estrela é muito jovem, o que torna muito provável que estejam se formando corpos planetários no disco de matéria que a rodeia. Além disso, porque o telescópio vê esse disco protoplanetário de cima.
Sua observação com o instrumento SPHERE, do Very Large Telescope, situado no Chile, facilitou distinguir ali três anéis que se estendem até uma distância de mais de cem vezes a que separa a Terra do Sol.
- Descobridores de mundos -
E foi na parte mais vazia do segundo anel que o instrumento do James Webb detectou uma fonte luminosa, chamada TWA 7b. Os astrônomos a identificaram como um pequeno planeta frio, com uma massa comparável a um terço da de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar.
Com o James Webb, "reduzimos a capacidade de detecção em 10 vezes", explica Anne-Marie Lagrange, já que os planetas menores captados até agora tinham mais ou menos três vezes a massa de Júpiter.
"A maioria dos outros exoplanetas captados em imagem é o que chamamos de super-Júpiter", que possuem de 8 a 12 vezes a massa deste último.
O feito é ainda mais interessante porque os planetas rochosos, como a Terra ou Marte, possuem massas muito menores do que os planetas gasosos. Esses exoplanetas rochosos constituem o objetivo final dos descobridores de mundos potencialmente habitáveis.
Anne-Marie Lagrange gostaria muito de "descobrir os planetas mais leves e talvez encontrar terras". Ela acrescentou que, se "se quer compreender como os sistemas planetários se formam, não basta apenas ver planetas bastante ou pouco massivos".
Os astrônomos consideram que o JWST tem o potencial de detectar e captar em imagem planetas com uma massa inferior à de TWA 7b. Mas serão necessários futuros instrumentos, como o Extremely Large Telescope, esperado para 2028, para tentar captar a imagem de mundos de tamanho semelhante ao da Terra.
F.Santana--PC