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IA ajuda médicos a detectar câncer de mama em exames, aponta estudo
A inteligência artificial ajuda os médicos a melhorar a detecção de casos de câncer de mama graças a uma análise mais eficaz dos exames de rastreamento, revela um amplo estudo divulgado nesta sexta-feira (30).
O trabalho, publicado na revista The Lancet, baseia-se na análise de cerca de 106 mil mamografias realizadas na Suécia no âmbito de um programa nacional de rastreamento do câncer de mama, entre abril de 2021 e o início de dezembro de 2022.
Os exames, feitos em mulheres com idade média de 53 anos, foram analisados, em metade dos casos, por dois radiologistas que atuaram de forma sucessiva e, na outra metade, por um radiologista auxiliado por inteligência artificial.
Segundo o estudo, o rastreamento mamográfico assistido por IA ajudou a reduzir a carga de trabalho e, sobretudo, apresentou "resultados sistematicamente melhores".
A detecção do câncer de mama com o uso de IA permitiu identificar 81% das mulheres com a doença durante o rastreamento, ante 74% sem essa tecnologia, "sem aumentar a taxa de falsos positivos", concluem os autores.
Nos dois anos seguintes, as mulheres do grupo que contou com IA também foram menos diagnosticadas (-12%) com os chamados cânceres de intervalo, que surgem entre dois exames de rotina.
Essa melhora foi observada independentemente da idade e da densidade mamária - um dos fatores de risco, entre outros - das mulheres examinadas.
- "O olho do radiologista" -
Estudos anteriores já haviam mostrado eficácia semelhante da detecção com IA em comparação com a análise baseada na dupla leitura humana, além de maior eficiência na identificação de cânceres invasivos de pequeno tamanho, destaca o trabalho.
Os resultados dos estudos publicados na The Lancet sugerem que esse tipo de ferramenta pode "melhorar de forma eficaz o desempenho da detecção" e "reduzir a carga de trabalho" dos radiologistas, segundo os autores, que defendem sua implementação.
No entanto, de acordo com Jean Philippe Masson, presidente da Federação Nacional de Médicos Radiologistas da França, vários estudos recentes realizados nos Estados Unidos indicam que essas ferramentas "na prática não economizam tempo e são caras".
"Elas economizariam tempo se o radiologista pudesse confiar na ferramenta e dizer: 'Ok, a IA não encontrou nada, então assino um laudo dizendo que não há nada'. Mas isso não é possível: o olhar e a experiência do radiologista precisam corrigir o diagnóstico da IA", afirma, especialmente para evitar "sobrediagnósticos".
Isso porque, às vezes, "a ferramenta de IA detecta uma alteração no tecido mamário que, na realidade, não é câncer", acrescenta.
Stephen W. Duffy, professor emérito de rastreamento do câncer na Universidade Queen Mary de Londres, que não participou do estudo, considera o trabalho "sólido".
Embora o estudo mostre que a detecção com auxílio da IA é "tão segura quanto a leitura feita por dois radiologistas humanos", ainda é necessário confirmar, por meio de acompanhamento posterior, se as mulheres que se beneficiam desse tipo de rastreamento desenvolvem menos cânceres, adverte.
O estudo lembra que a detecção precoce contribuiu para reduzir a mortalidade causada pela doença, mas que "alguns cânceres continuam não sendo detectados" pela mamografia de rastreamento, "apesar da dupla leitura das imagens recomendada pelas diretrizes europeias", já que alguns tumores de evolução rápida surgem entre dois exames.
Mais de 2,3 milhões de mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama e 670 mil morreram em decorrência da doença em 2022, segundo a Organização Mundial da Saúde.
J.V.Jacinto--PC