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Jihadistas nigerianos usam IA para fabricar bombas e adaptar motocicletas
Jihadistas nigerianos "institucionalizaram" o uso de inteligência artificial em sua atuação, desde suas estratégias de combate até a fabricação de bombas, em um esforço para alcançar uma eficiência semelhante à das grandes corporações mundiais, segundo um novo estudo.
O país mais populoso da África enfrenta uma insurgência desde 2009, e os avanços tecnológicos de seus combatentes não são novidade.
Jihadistas da África Ocidental e de todo o mundo usam a internet e plataformas de mensagens há muito tempo e, recentemente, adaptaram drones recreativos para o combate.
Mas a "adoção da IA por grupos terroristas foi mais rápida, mais ampla e mais sistemática do que pensávamos", afirmou à AFP Antonia Juelich, autora do estudo.
"Não estamos falando apenas de alguns comandantes que têm consciência do que é a IA. Eles realmente a institucionalizaram, no sentido de terem unidades dedicadas" que trabalham com IA e organizam treinamentos sobre o uso de chatbots, afirmou.
Juelich, pesquisadora associada à Universidade de Cambridge, publicou na semana passada seu estudo sobre a adoção de IA por jihadistas nigerianos, tanto do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês) quanto de seus rivais Jama'at Ahl as-Sunnah lid-Da'wah wa'l-Jihad (JAS), mais conhecido como Boko Haram.
Instrutores estrangeiros "reúnem os chefes em uma sala. Usam um projetor para mostrar em uma tela grande como funciona", relatou a Juelich um ex-combatente do ISWAP.
Para os jihadistas, as "instruções passo a passo" fornecidas pelos chatbots, assim como "poder fazer perguntas específicas", representam algo novo, explicou Juelich à AFP.
O estudo aponta que há registro do uso de ChatGPT, Claude, Gemini, Grok, Meta AI e DeepSeek por parte dos combatentes.
- IA para provocar explosões "mais fortes" -
Embora os treinamentos com especialistas e o enfoque organizacional em IA sejam semelhantes a algumas práticas empresariais, a forma como os jihadistas a utilizam provavelmente é diferente, e vai de buscar ajuda para modificar uma motocicleta a aprender sobre novas armas capturadas em combate.
Diante das trincheiras cavadas pelos militares, "vimos em um filme como as motocicletas podem saltar sobre pontes. Usamos a IA para aprender como fazer isso", contou um ex-integrante do ISWAP citado no estudo.
Os chatbots apresentaram novos tipos de explosivos para a fabricação de bombas, o que também serviu para aprimorar seus artefatos existentes. "A IA nos indicou quais produtos químicos deveríamos usar para provocar uma explosão maior", afirmou um ex-comandante do Boko Haram.
Outros usos incluem o emprego de IA para estudar táticas de batalha que permitam reduzir as baixas, segundo um ex-combatente do ISWAP.
A pesquisa surge em um momento em que diretores do setor de IA alertam que sua tecnologia pode representar riscos existenciais para a humanidade, ao mesmo tempo que prometem medidas de segurança integradas a seus chatbots.
Solicitações como a forma de saltar de motocicleta sobre uma trincheira não são necessariamente nefastas. "Mas explosivos não se enquadram nessa categoria, e é aí que as salvaguardas deveriam ser acionadas — e não são", afirmou Juelich.
O estudo abrange o uso de IA por jihadistas de 2023 a 2024 e cita um combatente falando sobre a IA em 2025, de modo que as medidas de segurança podem ter mudado ou melhorado desde que o miliciano desertou.
"Mas me preocupa a trajetória pela qual grupos terroristas adotam a IA e as salvaguardas não são fortes o suficiente", advertiu Juelich.
A.F.Rosado--PC