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Lula recebe título de doutor 'honoris causa' de universidade francesa
A Universidade Paris 8 concedeu nesta sexta-feira (6) o título de doutor "honoris causa" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por "sua trajetória fora do comum". Alguns professores, no entanto, criticaram o chefe de Estado brasileiro por seu "apoio" à Rússia.
A homenagem da universidade, herdeira dos protestos estudantis e sindicais de Maio de 68, acontece durante a primeira viagem de Estado à França de um presidente brasileiro desde 2012 e durante o ano cultural França-Brasil.
Lula recebeu a distinção que também reconhece sua política universitária, entre aplausos do público presente na universidade localizada em Saint-Denis, ao norte de Paris, em um dos departamentos mais pobres da França.
"Em várias partes do mundo, a extrema direita voltou a atacar as universidades (...) ciência. Em tempo de desinformação e negacionismo, o saber deve ser protegido como instrumento de um bem comum", afirmou o presidente do Brasil.
O ex-sindicalista de 79 anos, que lembrou ser o "único presidente" da história do Brasil que não teve diploma universitário, recebeu desta maneira sua segunda distinção do tipo na França, após a concedida em 2011 pela prestigiosa universidade Sciences Po.
"Que universidade melhor do que a nossa, que permitiu àqueles que estavam excluídos, sem formação de Ensino Médio, trabalhadores, ingressarem na universidade, deveria reconhecer sua trajetória fora do comum?", destacou a ex-reitora de Paris 8 Annick Allaigre.
Um pequeno grupo de professores, no entanto, criticou em um artigo publicado no jornal Libération a concessão do reconhecimento a Lula, que, desde a invasão russa da Ucrânia, "não deixou de equiparar o agressor ao agredido".
"A entrega deste doutorado 'honoris causa' a um apoiador de Vladimir Putin, especialmente nestas horas terríveis que a Ucrânia vive, aparece como uma mancha na história de nossa universidade", escreveram no artigo publicado na terça-feira.
Em seu discurso, Lula voltou a afirmar que "não é possível permanecer indiferente ao absurdo da guerra na Ucrânia e do genocídio do povo palestino em Gaza".
"As universidades e o movimento estudantil seguirão como voz da resistência intelectual aos horrores cometidos em todas as guerras", completou.
H.Portela--PC