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Jovens cineastas que sonham com Oscar veem IA como um atalho
SiJia Zheng, estudante da aclamada Escola de Artes Cinematrográficas da USC, que formou um dos favoritos ao Oscar, Ryan Coogler, sonha em ganhar um prêmio da Academia e vê na inteligência artificial (IA) o seu atalho para consegui-lo.
"É uma oportunidade para iniciantes como eu, que podem utilizar a IA para fazer um filme e demonstrar ao mundo inteiro que têm capacidade de se tornar diretores", disse à AFP.
Zheng, de 29 anos, decidiu estudar animação na aclamada Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, berço de alguns dos talentos da Pixar e DreamWorks, além das lendas da indústria, como George Lucas.
Um de seus projetos com o apoio da IA é "Torment", um curta-metragem de sete minutos que acontece em um colégio aterrorizado pela presença de um assassino mascarado.
Premiado no festival local LA Shorts, o curta-metragem foi gerado inteiramente por IA em apenas uma semana.
Zheng filmou a si mesmo diante de um fundo verde e, com um programa, substituiu seu rosto para interpretar os vários personagens do filme.
Usou a tecnologia para recriar as locações de seu filme: uma escola e uma piscina, evitando assim os custos proibitivos de filmagem.
"Como estudante, é impossível ter tanto dinheiro", acrescentou.
- "Muito mais barato" -
A IA é foco de tensões na indústria cinematográfica, algo que ficou evidente durante as greves que paralisaram Hollywood em 2023.
O tema foi abordado por figuras como o diretor mexicano Guillermo del Toro, crítico do uso de IA, ao ponto de chegar a dizer que preferia morrer a recorrer à tecnologia.
O premiado diretor de "Frankenstein", indicado ao Oscar de Melhor Filme, falou recentemente sobre a tecnologia na USC.
Zheng elogiou o "impressionante" filme do diretor mexicano, baseado no romance de Mary Shelley, e destacou sua sequência inicial em que o monstro ataca um veleiro de três mastros do século XIX.
"(Porém) quando vi o filme (...) só pensava: 'Posso fazer algo parecido e muito mais barato com IA'", afirmou.
Para o jovem, a IA "não é mais do que uma ferramenta, e as pessoas podem usá-la para melhorar".
E os responsáveis pelo Oscar parecem ir na mesma linha que o estudante chinês.
- "Ético" -
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas atualizou suas normas para considerá-la uma tecnologia neutra, a mesma consideração que dá aos efeitos especiais.
Sendo assim, um filme não será desclassificado do Oscar por usar IA, desde que o aspecto criativo recaia sobre seres humanos.
Para Debra Isaac, professora da USC, é um equilíbrio delicado.
Isaac criticou a briga viral de Brad Pitt e Tom Cruise em um telhado, gerada pelo Seedance 2.0, uma poderosa ferramenta de IA.
"Não se trata apenas de 'Ei, tenho uma ideia, vou só escrever algumas palavras e vou ter minha imagem, minha animação e pronto; posso ir para casa'", comentou a professora.
Isaac, cujo curso na USC será concluído em breve devido à falta de recursos, sustentou que nem todas as ferramentas de IA são questionáveis "do ponto de vista ético".
"São treinadas por pessoas que usam seu próprio trabalho para isso", acrescentou.
Foi exatamente isso que Xindi Zhang, formada no programa de animação da USC e vencedora de um Oscar estudantil com seu curta-metragem "The Song of Drifters", fez.
A artista, de 29 anos, produziu cerca de 50 desenhos com IA para esta obra que fala sobre a nostalgia do emigrante.
Esta base de dados serviu depois como inspiração gráfica para seu computador, que estilizou várias das sequências que de fato foram filmadas.
Isso acelerou a produção que, de outra forma, teria levado anos, disse Zhang, mas mesmo assim a jovem teve que passar até um mês aperfeiçoando alguns planos.
"Se você realmente mergulha neste mundo, isso se torna outro tipo de arte", disse a jovem chinesa contratada pela Amazon e pela Sony para integrar IA em seus processos de produção.
Mas Zhang alertou que não se trata de um atalho para tudo: "Ter qualidade, preços baixos e rapidez é impossível, não importa qual ferramenta você use. Isso nunca vai acontecer".
S.Pimentel--PC