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Começa novo julgamento sobre morte de Maradona, um ano após escândalo
O novo julgamento pela morte do lendário jogador de futebol Diego Maradona começa nesta terça-feira (14) na Argentina após a anulação de um primeiro há um ano, no qual se descobriu que uma das juízas participava de um documentário clandestino sobre o processo.
O escândalo, que derrubou o primeiro julgamento em maio de 2025, anulou 20 audiências judiciais e 44 depoimentos colhidos ao longo de dois meses e meio.
O segundo processo, no qual serão ouvidas cerca de 120 testemunhas, buscará determinar a responsabilidade da equipe médica de Maradona, mas com um novo enfoque do Ministério Público.
"O julgamento fracassado e o fato de que as defesas tenham conhecido nossos métodos nos obrigou a mudar estratégias, mas sempre com a convicção firme de que impediremos a impunidade dos responsáveis", disse à AFP o promotor Patricio Ferrari.
O ícone do futebol argentino morreu aos 60 anos em 25 de novembro de 2020 devido a uma crise cardiorrespiratória e um edema pulmonar em uma residência privada em Tigre, ao norte de Buenos Aires, onde se recuperava de uma neurocirurgia.
Sete profissionais de saúde - médicos, psicólogos, enfermeiros – que o atendiam na época são acusados de homicídio com dolo eventual, figura que implica que eles tinham consciência de que suas ações podiam ocasionar a morte do ex-jogador.
As defesas sustentam que ele faleceu por causas naturais. "Se há algo que ficou descartado é um plano criminoso doloso para matar Maradona. Quem continuar sustentando isso está sendo cruel com a família e com os réus", disse no domingo Vadim Mischanchuk, advogado da psiquiatra Agustina Cosachov, à rádio Con Vos.
O processo em San Isidro, nos arredores de Buenos Aires, contará com 30 audiências duas vezes por semana e deve ocorrer pelo menos até julho.
A notícia da morte do campeão mundial com a Argentina em 1986 levou centenas de milhares de pessoas às ruas em um luto coletivo em meio à pandemia de covid-19.
- "Justiça divina" -
Durante o midiático julgamento em 2025, foram divulgadas imagens de Julieta Makintach, uma das três juízas do tribunal, como protagonista de um documentário clandestino sobre o mesmo processo do qual fazia parte.
A magistrada foi afastada, o julgamento anulado e o escândalo dominou as manchetes na Argentina e no exterior.
Intitulado "Justiça Divina", o documentário mostrava Makintach caminhando pelos corredores do tribunal com música eletrônica ao fundo e depois sendo entrevistada em seu gabinete.
A juíza foi destituída em novembro em um julgamento político.
"Lixo, você me expulsou porque estava tudo roteirizado", gritou-lhe um dos advogados de defesa, Rodolfo Baqué, que foi expulso da sala na primeira audiência por ordem de Makintach sob o argumento de não estar autorizado.
Ao longo do primeiro processo, foram questionadas tanto as condições da internação quanto a pertinência de atender o ex-jogador de futebol em sua residência em Tigre, um acordo firmado entre a família e a equipe médica após a neurocirurgia.
A equipe médica levou adiante um "plano desumano de resultado eficaz", disse o advogado de Dalma e Gianinna Maradona, Fernando Burlando. O astro do futebol foi "assassinado" e "em qualquer hospital precário teriam salvado a vida dele", segundo a filha de Maradona.
"Todos acreditávamos que tinha sido uma morte natural. Até que três dias depois ligam do Ministério Público e nos dizem que possivelmente o tinham matado. E aí começou a investigação", lembrou Jana, quarta dos cinco filhos de Maradona, à imprensa argentina em março.
As defesas têm diferentes estratégias para cada acusado. Os principais são, além de Cosachov, o médico de confiança Leopoldo Luque e o psicólogo Carlos Díaz.
Os acusados enfrentam penas de 8 a 25 anos de prisão. Uma oitava acusada será julgada em um processo separado.
P.Mira--PC