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Apelos à reforma do sistema financeiro global dominam Cúpula Africana do Clima
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, juntou-se ao apelo dos líderes africanos para uma reforma urgente do sistema financeiro internacional, em seu discurso nesta terça-feira (5) em uma cúpula histórica sobre o clima em Nairóbi, no Quênia, que procura impulsionar o investimento em energia verde na África.
O encontro em Nairóbi reúne chefes de Estado, de Governo e empresários, e busca atrair financiamento para projetos ambientais que visam o desenvolvimento da região e ao mesmo tempo o combate às mudanças climáticas.
Os Emirados Árabes Unidos prometeram, nesta terça-feira, investimentos de 4,5 bilhões de dólares (22,1 bilhões de reais na cotação atual) em energias limpas na África. Este país receberá, em novembro, a próxima conferência da ONU sobre o clima (COP28), em Dubai.
Sultan Al Jaber, que dirige a empresa petrolífera nacional dos Emirados (ADNOC) e a empresa governamental de energias renováveis (Masdar), disse que este investimento "desencadeará a capacidade da África de alcançar uma prosperidade sustentável".
Um consórcio que inclui a Masdar ajudará a desenvolver 15 gigawatts de energia limpa até 2030, afirmou Sultan Al Jaber, que também presidirá as negociações da COP28.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu nesta terça-feira ao mundo que torne a África "uma superpotência de energia renovável".
Também pediu aos líderes do G20, que se reúnem este fim de semana na Índia, para "assumirem as suas responsabilidades" no combate às mudanças climáticas.
Guterres destacou a desigualdade no acesso às oportunidades econômicas na África, uma região que é duramente atingida por catástrofes relacionadas com o clima, apesar de contribuir menos para o aquecimento global.
"As estruturas de governança global refletem o mundo tal como era, não como é", disse Guterres, ao classificar o sistema financeiro internacional como "desatualizado, injusto e disfuncional".
Al Jaber apelou, em particular, a uma "intervenção cirúrgica na arquitetura financeira global construída para uma época diferente" e pediu às instituições internacionais para reduzirem o peso da dívida, que paralisa muitos países.
- "Sistema financeiro justo" -
Vários participantes na cúpula insistiram que é necessária uma reforma das estruturas financeiras globais para adaptá-las aos objetivos climáticos.
O presidente queniano, William Ruto, disse nesta terça-feira que "sem um sistema justo", que permita o alívio da dívida e o investimento a preços acessíveis, a África não será capaz de explorar o seu potencial para uma economia verde.
"Queremos um sistema financeiro justo, que trate todos de forma igual", defendeu Ruto.
Apesar da sua riqueza em recursos naturais, apenas 3% dos investimentos globais em energia são feitos no continente africano. As tensões geopolíticas dificultam a expectativa de encontrar um terreno comum para combater o aquecimento global.
O emissário climático dos Estados Unidos, John Kerry, afirmou que espera que os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo e os dois maiores emissores, se tornem "mais próximos" nas próximas negociações.
"A nossa esperança é que o clima seja reconhecido pelo que é", acrescentou o diplomata americano, ao destacar que não se trata de uma "questão bilateral, nem de uma simples disputa entre Estados Unidos e China, como há sobre outras questões".
- Posição comum africana -
A transição para energia limpa nos países em desenvolvimento é crucial para tentar manter o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global "muito abaixo" dos 2ºC desde a época pré-industrial e, se possível, abaixo de 1,5ºC.
Para conseguir isso, a Agência Internacional de Energia (AIE) garante que os investimentos deverão atingir 2 bilhões de dólares (9,8 bilhões de reais) por ano em uma década, oito vezes mais.
No entanto, a ênfase da cúpula nas questões de financiamento desperta a oposição de alguns ambientalistas, que consideram esta abordagem muito alinhada com os interesses dos países ricos.
A cúpula de Nairóbi também busca definir uma posição comum africana sobre o desenvolvimento e o clima, em um continente que abriga 1,4 bilhão de pessoas, com 54 países política e economicamente diversos, entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas.
V.Fontes--PC