Milhares de pessoas protestam na Índia contra revisão do censo eleitoral
Milhares de pessoas protestam na Índia contra revisão do censo eleitoral / foto: Arun SANKAR - AFP

Milhares de pessoas protestam na Índia contra revisão do censo eleitoral

Milhares de pessoas participaram neste domingo (1º) de um protesto da oposição indiana para pedir a renúncia do chefe da comissão eleitoral após uma polêmica reforma do registro de eleitores que, segundo eles, beneficia o partido governista.

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A revisão do cadastro eleitoral no país mais populoso do mundo desencadeou protestos da oposição e do movimento das “baratas”, criado na internet para canalizar a indignação da Geração Z.

A Comissão Eleitoral afirma que a iniciativa é necessária para garantir a precisão do censo, mas a oposição considera que ela está sendo manipulada para favorecer o partido Bharatiya Janata (BJP) do primeiro-ministro Narendra Modi.

Neste domingo, manifestantes liderados por Rahul Gandhi, dirigente do partido de oposição Congresso, entoaram “ladrão de votos, deixe o cargo” durante sua marcha por Nova Delhi.

“Sou eleitora desde os 18 anos e agora descubro que fui retirada da lista”, disse à AFP Nandita, de 46 anos, que preferiu informar apenas o primeiro nome.

A reforma levou à exclusão de mais de 133 milhões de nomes do censo, segundo números divulgados pela imprensa indiana e citados por partidos de oposição em ações judiciais.

Críticos afirmam que esses cortes afetaram de maneira desproporcional as minorias, especialmente os muçulmanos.

Membros do governista BJP, de ideologia nacionalista hindu, alegam que muitos imigrantes muçulmanos sem documentos, vindos do vizinho Bangladesh, teriam entrado de forma fraudulenta no registro eleitoral da Índia.

As autoridades eleitorais dizem que a revisão tinha como objetivo eliminar inscrições duplicadas, fraudulentas e de pessoas falecidas, mas que os eleitores com direito a voto podem solicitar sua inclusão no cadastro.

A ONG Human Rights Watch denunciou que a remoção de eleitores foi “arbitrária e profundamente falha” e pediu que a medida seja “suspensa imediatamente”.

L.Torres--PC