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Grande tempestade de inverno deixa ao menos 23 mortos nos EUA
Uma enorme tempestade de inverno, com temperaturas polares, atingiu grande parte dos Estados Unidos nesta segunda-feira (26), pelo terceiro dia consecutivo, deixando pelo menos 23 mortos, cortes de energia e milhares de voos cancelados.
Uma massa gelada de ar ártico e potencialmente mortal poderia adiar a retomada das atividades habituais, em localidades desde o Novo México até Maine, afetadas pela tempestade, que trouxe uma violenta combinação de fortes nevascas e ventos.
O saldo de mortos subiu para pelo menos 23 devido ao fenômeno extremo, segundo uma compilação de relatos de autoridades e meios de comunicação locais, com causas que incluem hipotermia, acidentes de trânsito, trenós, veículos 4x4 e removedores de neve.
Em Nova Jersey, um homem foi encontrado morto na neve com uma pá nas mãos.
Na cidade de Nova York, outras oito pessoas foram encontradas sem vida em meio à queda da temperatura, embora as causas de suas mortes ainda estejam sob investigação.
O abastecimento elétrico começou a retornar, mas, até a noite desta segunda, quase 600 mil clientes seguiam sem serviço, segundo o site de monitoramento Poweroutage.us.
Tennessee, Texas, Mississippi e Louisiana, estados do sul pouco acostumados ao intenso clima invernal e ao frio gélido, que as previsões indicam que vai continuar em grande parte da próxima semana, foram especialmente afetados.
Cerca de 190 milhões de pessoas nos Estados Unidos se encontravam sob algum tipo de alerta de frio extremo, informou o Serviço Meteorológico Nacional (NWS, na sigla em inglês) à AFP.
Espera-se que moradores de lugares tão ao sul como a Costa do Golfo experimentem temperaturas gélidas durante a noite e ao longo da semana.
Além disso, na região dos Grandes Lagos, as pessoas iniciaram o dia com temperaturas extremas que poderiam causar o congelamento da pele em questão de minutos.
- Baixas temperaturas -
Em algumas partes de Minnesota e Wisconsin, o NWS reportou, na madrugada desta segunda, temperaturas de até -30,6°C, com o vento gelado agravando a situação.
No fim de semana, quase metade dos estados recebeu pelo menos 30,5 cm de neve.
O Lago Bonito, no Novo México, acumulou a maior quantidade total de neve no país durante o fim de semana, com 78,7 cm, segundo registros oficiais.
Freddie O'Connell, prefeito de Nashville, a capital do Tennessee, informou à imprensa que as árvores continuavam caindo pelo peso do gelo incrustado em seus galhos, o que, em algumas ocasiões, interrompia o fornecimento de eletricidade onde este já havia sido restabelecido.
Os departamentos de polícia e bombeiros da cidade lideraram uma nova força-tarefa que busca contactar moradores sem energia elétrica para transferi-los a um abrigo emergencial aquecido.
Muitos outros municípios do país estavam estabelecendo abrigos similares.
Um motorista da Carolina do Sul, Gary Winthorpe, descreveu para uma estação de notícias local como atravessou uma rodovia perigosa e viu como uma caminhonete saiu da pista e caiu em uma vala: "Fiquei com muito medo", disse.
A meteorologista do NWS, Allison Santorelli, disse à AFP que a recuperação desta tempestade tem sido particularmente difícil devido ao grande número de estados afetados. Os do norte, mais preparados para o inverno, não puderam compartilhar seus recursos com as regiões do sul, menos preparadas.
"Muitos desses lugares não contam com os meios nem os recursos para limpar depois de eventos como este", declarou. "Estamos especialmente preocupados com as pessoas nessas regiões que estão sem eletricidade neste momento", frisou.
- Vórtice polar -
Pelo menos 20 estados e a capital, Washington, declararam-se em estado de emergência para mobilizar pessoal e recursos.
As nevascas que atingiram as cidades deixaram estradas intransitáveis, além do cancelamento de ônibus, trens e voos durante o fim de semana.
A tempestade está relacionada com uma deformação do vórtice polar, uma massa de ar que habitualmente circula acima do polo norte, mas que se deslocou para o sul.
Os cientistas consideram que o aumento das perturbações no vórtice polar poderia estar relacionado com a mudança climática.
"Isso torna tudo ainda mais difícil", acrescentou.
S.Pimentel--PC