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Resgates são retomados após novas chuvas em MG, onde mortos chegam a 54
Com o medo pela volta das chuvas e em meio a novas evacuações, socorristas e moradores retomaram, nesta quinta-feira (26), as buscas por 14 desaparecidos na zona da mata de Minas Gerais, onde os mortos no intenso temporal no começo da semana chegam a 54.
Com quantidades incomuns de água, as chuvas que caíram na segunda-feira na região causaram inundações, desabamentos de construções e deslizamentos de terra que soterraram dezenas de pessoas nos municípios de Juiz de Fora e Ubá.
Mais de 5.000 pessoas tiveram que deixar suas casas na região.
Na noite de quarta-feira, novas chuvas alagaram ruas e causaram novos deslizamentos. Estão previstas mais chuvas até o fim de semana.
"Choveu bastante, o barranco caiu mais ainda e a Defesa Civil nos orientou para não ficar", disse à AFP Luiz Otávio Souza, promotor de vendas de 35 anos, que precisou deixar sua casa, e que tem um sobrinho desaparecido.
"Todo mundo está em pânico, amigos e parentes perguntando como estamos (...) Parece filme de terror", acrescentou, aos prantos, este morador do Parque Burnier, um dos bairros mais afetados de Juiz de Fora, com 12 mortos e oito desaparecidos.
No bairro de Três Moinhos, três casas foram soterradas por deslizamentos durante a madrugada, depois que seus moradores foram evacuados, constatou a AFP.
Vários moradores que precisaram deixar suas casas voltaram nesta quinta-feira para o bairro para recuperar móveis, eletrodomésticos, colchões e inclusive animais de estimação que ficaram para trás.
Durante as horas sem chuva, levaram seus pertences às pressas, descendo pelas ruas cobertas de lama.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), declarou no X na quarta-feira que "não é verdadeira a informação de que o governo de Minas reduziu nos últimos anos os investimentos em prevenção contra chuvas".
Segundo reportagem exibida no Jornal Nacional, da TV Globo, o governo do estado cortou em 95% os gastos para mitigar o impacto das chuvas nos últimos três anos.
Esta tragédia se soma a outros grandes desastres causados por extremos climáticos no Brasil nos últimos anos, que cientistas associam em vários casos ao aquecimento global.
Em 2024, inundações inéditas atingiram o Rio Grande do Sul e deixaram cerca de 200 mortos e mais de dois milhões de moradores afetados, em uma das piores catástrofes naturais da história do Brasil.
F.Santana--PC