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O destino de Trump nas mãos de juíza que nomeou há três anos
Quando foi nomeada há três anos por Donald Trump, a juíza Aileen Mercedes Cannon dificilmente imaginaria que podia presidir um julgamento contra o ex-presidente.
No entanto, nesta sexta-feira (21), a magistrada foi escolhida para presidir uma audiência criminal sem precedentes do magnata americano no dia 20 de maio de 2024, em Fort Pierce, na Flórida.
Sua nomeação acrescentou ainda mais polêmica ao caso.
"Agora é impossível para Trump reclamar que tem um juiz tendencioso contra ele", disse Edward Foley, professor de direito constitucional da Ohio State University.
Ao todo, Trump é denunciado por 37 acusações por manter, deliberadamente, documentos altamente confidenciais em sua casa em Mar-a-Lago, Flórida, obstruir a Justiça e por falsos testemunhos.
Algumas das imputações podem chegar a 20 anos de prisão e Cannon decidirá sobre sua sentença caso o júri o considere culpado.
A pressão fica ainda maior visto que a audiência será realizada em um momento de efervescência política frente à eleição presidencial de novembro de 2024, na qual o empresário lidera a corrida pela nomeação republicana.
- Cargo vitalício -
Nascida em Cali, na Colômbia, Cannon cresceu na Flórida porque sua mãe imigrou de Cuba para os Estados Unidos quando ela era criança.
A juíza foi nomeada por Trump em 2020, aos 38 anos, uma idade relativamente jovem para uma indicação de cargo vitalício.
Formada em Direito pela prestigiada Universidade de Michigan, a magistrada é membro da Federalist Society, um grupo de advogados, juízes e especialistas conservadores.
Ela também trabalhou em um escritório de advocacia em Washington por três anos e mais sete como promotora assistente antes de se tornar juíza.
- Revés -
Sua seleção para presidir a audiência do ex-presidente ocorreu de forma aleatória, entre vários juízes federais em atividade no Departamento de Justiça no distrito sul da Flórida.
Alguns especialistas acreditam que ela deveria ter recusado, pois, supostamente teria sido parcial no ano passado, diante da demanda apresentada a ela por Trump contra a operação do FBI que buscou recolher os documentos na casa de Mar-a-Lago.
Diante da data do início do processo, em meio à campanha presidencial, caso o julgamento se estenda e o magnata vença as eleições de novembro de 2024, ele poderá tomar medidas para intervir ou até mesmo perdoar a si mesmo após ser empossado.
Daniel Richman, professor de Direito da Universidade de Columbia, acredita que a juíza tem um poder enorme no desenrolar da deliberação.
"Mesmo em um caso comum, o juiz pode ter um efeito significativo e às vezes até decisivo no processo", explicou ele.
Já o professor de Ciências Políticas da Universidade de Wisconsin-Milwaukee Thomas Holbrook destaca a "posição difícil" de Cannon.
"Quase não importa o que ela faça, isso alimentará as preocupações existentes sobre seu potencial viés ou desapontará os apoiadores de Trump", acrescentou.
E.Raimundo--PC