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Oposição turca denuncia 'golpe de Estado' após prisão de principal adversário de Erdogan
O principal partido de oposição da Turquia denunciou, nesta quarta-feira (19), um "golpe de Estado" após a prisão por acusações de "corrupção" e "terrorismo" de Ekrem Imamoglu, prefeito de Istambul e maior adversário do presidente Recep Tayyip Erdogan.
"O que está acontecendo é uma tentativa de golpe de Estado", disse o presidente do Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), Özgur Özel, em uma manifestação. "Querem anular a vontade do povo", acrescentou.
O prefeito popular e carismático, membro do CHP, foi detido nesta quarta no âmbito de uma operação na qual também foram presos por volta de 100 colaboradores, políticos eleitos e membros do partido.
Ekrem Imamoglu é acusado de "corrupção" e, segundo a agência oficial Anadolu, "terrorismo".
O prefeito, que seria proclamado no domingo candidato de seu partido nas próximas eleições presidenciais, previstas para 2028, foi levado para um centro policial, segundo pessoas próximas.
Um vídeo publicado na rede social X mostra o prefeito, de 53 anos, denunciando a operação em sua residência: "Centenas de policiais chegaram à minha porta [...] Confio em minha nação", disse.
"Os policiais chegaram logo depois da 'zahora' [a refeição antes do amanhecer durante o Ramadã]. Ekrem começou a se preparar [...] Saíram de casa por volta das 7h30", declarou a esposa do prefeito, Dilek Imamoglu, ao canal de televisão privado NTV.
Segundo um comunicado do gabinete da Procuradoria de Istambul, Imamoglu é acusado de corrupção e extorsão, além de ser apontado como o líder de uma "organização criminosa com fins lucrativos".
- 'Você nos ouve, Erdogan?' -
O ministro da Justiça indicou que o prefeito e outras seis pessoas são acusadas de "apoio ao terrorismo" por supostos vínculos com o ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em idioma curdo).
Apesar de o governador de Istambul ter proibido comícios e manifestações até domingo, milhares de pessoas se reuniram na noite desta quarta nas imediações da prefeitura da cidade para protestar.
"Você nos ouve, Erdogan? Pode nos ver?", gritou à multidão Özgür Özel do alto de um ônibus.
Os manifestantes tremulavam bandeiras turcas e gritavam "Erdogan ditador!", "Istambul às ruas, ladrões no palácio!" ou "Imamoglu, você não está sozinho!", segundo correspondentes da AFP.
Para o cientista político Berk Esen, da Universidade Sabanci de Istambul, "o que aconteceu esta manhã é nada menos que um golpe de Estado contra o principal partido da oposição, com consequências de longo alcance para o futuro político do país".
Imamoglu é o único na disputa para representar seu partido nas próximas eleições e deveria ser oficialmente designado no próximo domingo, nas primárias do CHP.
Na terça-feira, a Universidade de Istambul anulou seu diploma universitário, o que adicionou um novo obstáculo à sua candidatura.
A Constituição turca determina a obrigatoriedade de um diploma universitário para qualquer candidato ao cargo de chefe de Estado.
Imamoglu classificou a decisão como "ilegal" e anunciou que pretende recorrer nos tribunais. O prefeito é alvo de outras cinco investigações judiciais, duas delas iniciadas em janeiro.
Em 2023, ele foi efetivamente impedido de disputar a eleição presidencial devido a uma condenação com suspensão condicional de pena por "insultos" contra integrantes do Comitê Eleitoral Turco.
Seis prefeitos do CHP estão detidos ou sob custódia policial e dez prefeitos pró-curdos também foram destituídos nos últimos meses, em um contexto de repressão contra a oposição, os círculos pró-curdos, a imprensa e até mesmo alguns artistas.
V.F.Barreira--PC