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EUA e Venezuela: das sanções ao destacamento militar
Já se passaram quase 20 anos desde que os Estados Unidos impuseram suas primeiras sanções à Venezuela, em 2006, até os ataques recentes contra supostos narcotraficantes no Mar do Caribe.
Duas décadas nas quais as tensões foram escalando, até chegarem ao ápice na quarta-feira com o anúncio dos Estados Unidos de que haviam apreendido um petroleiro em frente ao litoral da Venezuela.
- Primeiras sanções -
As relações entre Washington e Caracas são péssimas desde a chegada de Hugo Chávez ao poder em 1999.
Em 2006, os Estados Unidos, sob a presidência do republicano George W. Bush, proibiram a venda de armas e material militar de fabricação americana à Venezuela por sua falta de cooperação na luta contra o terrorismo.
Quatro anos depois, em 2010, os dois governos retiraram seus embaixadores.
- Acusações de violação dos direitos humanos -
Após a morte de Hugo Chávez em 2013 e as eleições presidenciais vencidas por seu herdeiro político Nicolás Maduro, a administração do democrata Barack Obama impôs, no fim de 2014 e início de 2015, sanções contra vários dirigentes de alto escalão venezuelanos, com congelamento de ativos nos Estados Unidos e proibição de vistos.
Washington os acusava de violação dos direitos humanos por seu envolvimento na repressão violenta das manifestações contra a eleição de Maduro.
- A 'opção militar' mencionada por Trump em 2017 -
A partir de 2017, durante o primeiro mandato do republicano Donald Trump, Washington impõe sanções financeiras a vários nomes do alto escalão, entre eles membros do Tribunal Supremo, por minarem a autoridade do Parlamento, que era controlado pela oposição desde o fim de 2015.
Após as eleições nas quais se decidiu a composição de uma Assembleia Constituinte ordenada por Maduro, Washington aplica sanções financeiras contra ele.
Trump fala de uma "possível opção militar" na Venezuela, uma ameaça que usou durante o seu primeiro mandato.
Washington proíbe depois a compra de títulos emitidos por Caracas e pela petrolífera estatal PDVSA.
- Endurecimento das sanções -
Após a reeleição de Maduro em 2018, "ilegítima" para Washington e irregular para a comunidade internacional, Trump endurece em 2019 as sanções econômicas com o objetivo de asfixiar a economia do país e forçar assim a saída do presidente.
Caracas rompeu relações diplomáticas quando os Estados Unidos, seguidos por cerca de sessenta países, reconheceram Juan Guaidó como "presidente interino". Em 2023, o opositor dissolveu seu governo autoproclamado.
Nesse mesmo ano, os Estados Unidos sancionam a petrolífera PDVSA e o banco central.
- Embargo ao petróleo -
Em 28 de abril de 2019, Trump aumenta a pressão sobre Maduro: entra em vigor um embargo americano sobre o petróleo venezuelano e, em seguida, o congelamento de ativos do governo de Caracas sob jurisdição dos Estados Unidos.
O embargo é suavizado temporariamente em 2023, no governo do democrata Joe Biden, como parte de uma negociação para realizar eleições na Venezuela. O alívio também serviu para compensar a queda nas importações de petróleo pelos Estados Unidos devido à invasão russa da Ucrânia.
Washington restabelece as sanções sobre o petróleo após as eleições venezuelanas de julho de 2024, pois considera que Maduro descumpriu sua promessa de permitir eleições justas.
Trump acaba com as licenças concedidas a algumas petroleiras internacionais para operar na Venezuela no início de seu segundo mandato, em 2025.
Apenas a americana Chevron volta a receber em julho autorização para operar, mas sem que tenha permissão para enviar dinheiro à Venezuela.
- US$ 50 milhões pela captura de Maduro -
Maduro, assim como alguns de seus aliados na região, foi acusado nos Estados Unidos de "narcoterrorismo", pelo que Washington ofereceu 15 milhões de dólares por qualquer informação que permitisse sua captura.
Biden elevou essa quantia para 25 milhões após a posse de Maduro para o terceiro mandato. E, em agosto de 2025, Trump duplicou o montante desta recompensa, para 50 milhões de dólares (pouco mais de R$ 270 milhões na cotação atual).
Washington acusa Maduro de dirigir o Cartel de los Soles, incluído em sua lista de organizações terroristas, embora a existência dessa organização não tenha sido comprovada.
- Ataques no Caribe -
Os Estados Unidos enviaram em agosto uma frota de navios de guerra ao Mar do Caribe, uma mobilização sem precedentes na região. Desde o início de setembro, este contingente realiza ataques contra embarcações supostamente carregadas com drogas. Washington acusa Caracas de estar por trás do tráfico de drogas com destino aos Estados Unidos.
A Casa Branca anunciou em 10 de dezembro que havia capturado um navio-petroleiro em frente ao litoral da Venezuela. Caracas, que considera que o destacamento militar americano tem como objetivo derrubar Maduro e se apoderar das enormes reservas de petróleo do país, classificou a apreensão da embarcação como um "ato de pirataria internacional".
burs-paj/ang/pgf/dga/nn/rpr
H.Silva--PC