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Autoridades retomam buscas por atirador que matou dois em universidade dos EUA
As autoridades americanas retomaram, nesta segunda-feira (15), as buscas pelo autor do ataque a tiros que matou duas pessoas no sábado na Universidade Brown, depois de anunciarem que libertariam um homem que havia sido detido em relação ao caso.
O ataque, que também deixou nove feridos, ocorreu no sábado em um prédio onde estavam sendo realizadas provas no campus da universidade, em Providence, no estado de Rhode Island.
Um homem armado com um rifle invadiu o local e abriu fogo antes de fugir.
A detenção chegou a ser tratada como um avanço, após o diretor do FBI, Kash Patel, afirmar que a polícia local havia fornecido uma pista aos investigadores federais. No entanto, as autoridades recuaram e, na noite de domingo, informaram que não havia provas suficientes para vincular o suspeito ao ataque.
O prefeito de Providence, Brett Smiley, que havia anunciado o fim imediato das restrições na cidade após a detenção, declarou horas depois que o homem seria libertado. "Não há bases para considerá-lo uma pessoa de interesse", afirmou o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, ao confirmar a liberação.
"Sabemos que isso provavelmente causará mais ansiedade em nossa comunidade", declarou o prefeito, citado por meios de comunicação locais.
Todas as vítimas eram estudantes. Dos nove feridos, um se encontrava em estado crítico, sete em condição estável e um já recebeu alta, acrescentou Smiley.
- Aterrorizante -
Joseph Oduro, um professor assistente que estava na sala de aula quando o ataque ocorreu, relatou a cena à CNN.
"Eu estava em pé na sala de aula, e ele entrou por trás, então nos olhamos. Assim que aconteceu, olhei para meus alunos e fiz um gesto para que fossem para a frente da sala. Depois, só me agachei", disse.
O agressor "entrou, apontou a arma e gritou algo", explicou Oduro. "Não sei o que ele disse, e nenhum dos outros estudantes sabe o que ele disse, e então começou a atirar".
A polícia divulgou 10 segundos de um vídeo em que o suspeito aparece caminhando rapidamente por uma rua deserta. Ele é visto de costas depois de abrir fogo dentro de uma sala de aula no térreo. Após o ataque, o suposto atirador sai do prédio vestido com roupas escuras.
Testemunhas disseram que ele também usava uma máscara de camuflagem cinza.
"É chocante e tremendamente triste. Conheço os estudantes daqui, muitos dos quais ficaram abrigados por muitas, muitas horas ontem à noite", disse Smiley à CNN. "Todos estão extremamente abalados".
- Ataque a tiros maciço -
A presidente da Universidade Brown, Christina Paxson, confirmou em carta à comunidade acadêmica que todas as vítimas são estudantes.
Este é o ataque a tiros maciço mais recente em um país onde as tentativas de restringir o acesso a armas de fogo enfrentam bloqueio político.
Segundo o Gun Violence Archive, que define um ataque em massa como um evento no qual quatro ou mais pessoas são feridas por disparos, mais de 300 ataques desse tipo foram registrados nos Estados Unidos desde o início do ano.
Durante um evento na Casa Branca no domingo, o presidente Donald Trump fez uma breve referência ao ataque em Brown.
"Aos nove feridos, desejo uma rápida recuperação, e às famílias desses dois (mortos) que já não estão conosco, expresso minhas sinceras condolências e meu respeito", acrescentou.
A universidade, que faz parte da Ivy League - um grupo de oito universidades privadas de elite dos Estados Unidos -, fica perto de Boston e tem cerca de 11 mil estudantes.
- Armas de fogo nos EUA -
Com mais armas de fogo em circulação do que habitantes, os Estados Unidos amargam a maior taxa de letalidade por armas entre todos os países desenvolvidos.
Os massacres são um flagelo recorrente que sucessivos governos não conseguiram conter até agora, já que muitos americanos continuam defendendo o porte de armas, garantido pela Constituição.
Em 2024, mais de 16 mil pessoas morreram por armas de fogo nos Estados Unidos, sem contar os suicídios, segundo a ONG Gun Violence Archive.
O ataque a tiros mais letal em uma instituição de ensino na história dos Estados Unidos ocorreu em Virginia Tech, em 16 de abril de 2007, quando um estudante matou 32 pessoas e feriu outras 17 antes de tirar a própria vida.
E.Borba--PC