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Trump aumenta pressão para alcançar acordo de paz e ameaça Irã com novos bombardeios
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã com novos bombardeios nesta quarta-feira (6) e aumentou a pressão para chegar a um acordo que ponha fim à guerra, apesar de ter anunciado anteriormente que suspenderia um plano para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz.
Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, desencadeada pela ofensiva israelense-americana contra o Irã, Teerã controla essa via estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos.
Trump indicou na terça-feira, em sua plataforma Truth Social, que a possibilidade de se chegar a "um acordo completo e definitivo com os líderes iranianos" colocaria a operação, conhecida como "Projeto Liberdade", que foi lançada na segunda-feira, em pausa por um curto período.
No entanto, Trump esclareceu que o bloqueio americano aos portos iranianos, imposto em 13 de abril, permanecia em vigor e que essa pausa havia sido decidida após "o pedido do Paquistão e de outros países".
Contudo, horas depois, ele abandonou o tom conciliador e alertou nas redes sociais que, se um acordo não for alcançado, "os bombardeios recomeçarão e, infelizmente, serão em um nível e intensidade maiores do que antes".
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a proposta americana para encerrar a guerra está "sob análise", segundo a imprensa local.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador e sediou a primeira rodada de negociações entre Washington e Teerã no mês passado, declarou nesta quarta-feira que estava "esperançoso" de que "a dinâmica atual levará a um acordo duradouro que garanta paz e estabilidade sustentáveis para a região e além".
Washington está confiante de que em breve poderá chegar a um acordo com Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz e pôr fim ao conflito, informou o portal de notícias americano Axios nesta quarta-feira, citando dois funcionários dos EUA.
Segundo o Axios, ambos os lados estão perto de alcançar um "memorando de entendimento de uma página para encerrar a guerra" e iniciar um período de 30 dias de negociações que poderá ocorrer em Genebra ou na capital paquistanesa, Islamabad.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se nesta quarta-feira com seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim.
Em entrevista transmitida pela televisão estatal iraniana, Araghchi disse que discutiram "as negociações em andamento" para pôr fim ao conflito.
Antes da visita, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, um crítico ferrenho da China, instou Pequim a pressionar Araghchi para que o Irã suspendesse o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma medida que, segundo ele, está deixando o Irã "isolado globalmente".
- "Não haverá nenhum ganho para o povo?" -
Rubio também anunciou na terça-feira que os Estados Unidos haviam concluído sua operação ofensiva contra o Irã, denominada "Fúria Épica".
Uma moradora de Teerã disse a jornalistas da AFP em Paris que a perspectiva de chegar a um acordo com o governo atual é "aterrorizante".
"Passamos por tantas dificuldades e sofrimentos, e não haverá nenhum ganho para o povo?", comentou Azadeh, uma tradutora de 43 anos. "Sinceramente, só espero que acabem com este regime."
Por outro lado, viver em meio a essa incerteza torna "a pressão psicológica intensa", acrescentou.
- Petróleo cai -
Os preços globais do petróleo despencaram nesta quarta-feira em meio às expectativas de um fim para a guerra. O Brent caiu 6%, para 103,32 dólares o barril, e o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuou 5,8%, para 96,31 dólares por volta das 10h30 (horário de Brasília).
Os Estados Unidos e os países do Golfo elaboraram uma resolução para o Conselho de Segurança da ONU exigindo que Teerã cesse seus ataques, revele a localização de suas minas e pare de tentar cobrar pedágio no Estreito de Gibraltar, disse Marco Rubio. A votação está prevista para os próximos dias.
Na frente libanesa, onde Israel combate o movimento islamista pró-Irã Hezbollah, suas forças bombardearam pelo menos duas aldeias no sul do país nesta quarta-feira, segundo imagens da AFP.
Enquanto isso, o Ministério da Saúde libanês relatou pelo menos quatro mortes em ataques israelenses no Vale do Bekaa, no leste do país.
Israel e o Hezbollah continuaram seus ataques apesar do cessar-fogo em vigor no Líbano.
Nesta quarta-feira, o chefe do Estado-Maior do Exército israelense, Eyal Zamir, visitou tropas no sul do Líbano e prometeu "aproveitar todas as oportunidades para continuar desmantelando o Hezbollah e enfraquecê-lo ainda mais".
burs-jfx/smw/arm-jvb/an/aa/yr
F.Moura--PC