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Procurador do TPI afirma que ex-presidente filipino Rodrigo Duterte matou 'milhares de pessoas'
Rodrigo Duterte matou milhares de pessoas em sua campanha contra as drogas, afirmou um procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) nesta sexta-feira (27), no último dia de audiências para determinar se o ex-presidente filipino será julgado por crimes contra a humanidade.
Um painel de três juízes ouviu os argumentos da acusação, da defesa e de representantes das vítimas ao longo de quatro dias.
"Ele se orgulha desses assassinatos. Ele quer que nos lembremos dele por isso", disse o procurador Julian Nicholls, resumindo os argumentos da acusação.
"Por décadas, ele assassinou seu próprio povo, assassinou as crianças das Filipinas, e alega que fez isso pelo seu país. Ele não nega", acrescentou.
Nicholls afirmou que Duterte comandou um "esquadrão da morte" na cidade de Davao, no sul do país, por 20 anos antes de se tornar presidente.
"Ele prometeu matar milhares de pessoas, e cumpriu a promessa", concluiu o procurador.
Após as audiências de "confirmação das acusações", a jurisdição sediada em Haia terá 60 dias para decidir se o ex-líder de Manila será julgado.
Duterte, de 80 anos, não compareceu às audiências. Segundo seu advogado, ele está muito fraco para comparecer pessoalmente.
O ex-presidente é indiciado por três crimes contra a humanidade por sua "guerra às drogas", quando era prefeito de Davao e, posteriormente, presidente das Filipinas.
A Procuradoria apresentou 76 casos de supostos assassinatos, uma "pequena fração", segundo afirmou, do número de pessoas mortas, que organizações de direitos humanos estimam que possa chegar a vários milhares.
A defesa, que apresentará um resumo de seus argumentos nesta sexta-feira (27), afirmou que não há ligação direta entre Duterte e os assassinatos.
Gilbert Andres, advogado que representa familiares das vítimas, disse que seus clientes sentiram as refutações da defesa "como se seus parentes assassinados tivessem morrido de novo".
Ele pediu ao tribunal que confirmasse as acusações para que as vítimas pudessem "retornar às suas comunidades".
Os juízes podem confirmar todas as acusações e prosseguir com o julgamento, rejeitar algumas das acusações ou arquivar o caso, hipótese em que Duterte seria libertado.
G.Teles--PC