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Subsidiária da Hutchison denuncia invasão de escritório no Panamá após perder concessão
A subsidiária da empresa de Hong Kong Hutchison denunciou, nesta sexta-feira (27), uma operação de busca em um de seus estabelecimentos no Panamá, após perder a concessão de dois portos que operava no canal interoceânico.
Na quinta-feira, o Ministério Público panamenho retirou documentos de uma instalação no âmbito de uma investigação pela "possível prática de um ato ilícito", embora não tenha mencionado os envolvidos.
A Panama Ports Company (PPC), subsidiária da Hutchison que operava os dois terminais, confirmou nesta sexta-feira que tal operação foi realizada em um local onde guardava documentação sobre processos judiciais em andamento.
Foi "uma invasão sem notificação prévia em uma instalação privada de armazenamento que continha documentação proprietária e material sujeito a privilégio legal" de "processos judiciais em curso", disse a PPC em um comunicado.
"A documentação precisa ser estudada", declarou o promotor Azael Samaniego a jornalistas no local da operação, que não tinha placas de identificação e de onde agentes saíram levando caixas de documentos.
Na última segunda-feira, as autoridades panamenhas assumiram os portos de Balboa, no Pacífico, e de Cristóbal, no Atlântico, em cumprimento de uma decisão judicial que anulou o contrato pelo qual a PPC administrava esses terminais desde 1997.
A Suprema Corte reverteu a concessão por considerá-la prejudicial ao país.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, acusa a empresa de ter transformado os dois portos em um "território autônomo", com um contrato pelo qual "submeteu todo um país por décadas, sem qualquer transparência".
"Essa empresa fez e desfez no Panamá por décadas", afirmou Mulino horas antes da operação de busca.
Segundo a Controladoria panamenha, que contestou a concessão, o país deixou de receber 1,2 bilhão de dólares (R$ 6,2 bilhões, na cotação atual) da companhia por suas operações. A empresa também teria se beneficiado de "muitas isenções fiscais" e "não pagou o valor" adequado pela concessão.
A PPC afirmou, por sua vez, nesta sexta-feira que, há um ano, o Estado executou um plano para "remover e substituir" a empresa, o que definiu como uma "conluio".
A.Motta--PC