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Equador anuncia início de 'operações conjuntas' antidrogas com EUA
O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou nesta segunda-feira (2) o início de "operações conjuntas" contra o narcotráfico junto com os Estados Unidos e outros "aliados da região" em território equatoriano.
Próximo de Donald Trump, o mandatário enfrenta poderosos grupos criminosos dedicados principalmente ao tráfico de cocaína e ao garimpo ilegal.
Noboa descreveu no X a ofensiva como uma "nova fase" de sua política de linha-dura para pacificar "cada canto do país".
Este mês, "faremos operações conjuntas com nossos aliados da região, incluindo os Estados Unidos. A segurança dos equatorianos é nossa prioridade", acrescentou.
No entanto, não especificou se as ações conjuntas incluirão o envio de efetivos americanos ao território equatoriano. Também não esclareceu quais seriam os outros países que participariam da campanha antidrogas.
Nesta segunda, Noboa reuniu-se em Quito com Francis L. Donovan, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), e o contra-almirante Mark A. Schafer, responsável de Comando de Operações Especiais Sul (Socsouth).
No encontro, discutiram planos de "intercâmbio de informação e coordenação operacional" em portos e aeroportos, indicou a Presidência equatoriana em comunicado.
As ações conjuntas, que começam neste mês, foram anunciadas uma semana depois da morte pelas mãos do Exército mexicano de "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), o maior aliado da máfia equatoriana na região.
Pelo Equador circula 70% da droga que sai de seus vizinhos Colômbia (norte) e Peru (sul), os maiores produtores de cocaína do mundo. Isso desencadeou uma violenta guerra entre grupos do crime organizado que levou o país a uma taxa recorde de homicídios.
O governo antecipou igualmente que, de 15 a 30 de março, decretará um toque de recolher noturno em quatro das 24 províncias do país, as mais afetadas pela violência: Guayas, cuja capital é Guayaquil; Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro.
"Fiquem em suas casas. Estamos em guerra", disse o ministro do Interior, John Reimberg, a jornalistas após uma cerimônia de formatura de policiais.
Equador e Estados Unidos mantêm uma aliança em temas de segurança que se fortaleceu desde a chegada de Noboa ao poder, em 2023.
Em dezembro, os Estados Unidos enviaram militares à cidade portuária de Manta, no sudoeste do Equador, mas Quito não ofereceu detalhes sobre esse destacamento.
Em um referendo promovido por Noboa em 2025, os equatorianos rejeitaram a instalação de bases militares estrangeiras, como a que funcionou em Manta por uma década (1999-2009).
A.Motta--PC