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Cuba sofre novo apagão geral em meio a crise econômica
Cuba sofreu nesta sexta-feira (18) o sétimo apagão geral do ano, em meio a uma crise energética grave. "Houve uma desconexão total do Sistema Elétrico", publicou no X o Ministério de Minas e Energia da ilha.
Mais tarde, a estatal Unión Eléctrica informou que o problema ocorreu após uma falha "nas linhas de transmissão", que deixou inicialmente o oeste do país sem energia, somada a "condições meteorológicas instáveis na região".
Este é o 7º apagão geral do ano e o 12º desde o fim de 2024. Em Havana, apenas 5% da população contava com eletricidade na tarde de hoje. "Estamos há vários dias sem luz e enfrentando muitos problemas. Também temos problemas com a água, com o gás", contou à AFP Lázaro Reyes, 60.
A ilha, de 9,4 milhões de habitantes, sofre apagões constantes devido ao estado obsoleto de suas usinas termelétricas. A situação se agravou desde janeiro, com restrições à compra de combustível por parte dos Estados Unidos.
O bloqueio petroleiro imposto por Washington dificulta o fornecimento de combustível a essas usinas e aos geradores de apoio, que costumam funcionar com diesel importado.
Nas últimas semanas, os apagões se prolongaram por mais de 30 horas na capital, enquanto outras províncias somavam mais de 60 horas consecutivas.
"Estamos sem energia em casa há 28 horas. Achei que a luz talvez voltasse em breve, mas agora, com essa desconexão, acho que ficaremos sem energia por vários dias", lamentou o aposentado Francisco Rodríguez, 78.
- Situação de pobreza -
Em consequência dos cortes de energia, o abastecimento de água e a rede de telefonia também são afetados em todo o país. Havana culpa as medidas punitivas de Washington pelo estado de sua rede elétrica, enquanto os Estados Unidos atribuem a responsabilidade ao governo cubano e à má gestão da economia.
Acostumada a uma rotina marcada por apagões, a aposentada Zunilda García, 60, reagiu sem surpresa ao anúncio de um novo corte geral. "Temos que esperar e manter a calma. Não podemos perder a esperança."
O colapso da rede elétrica ocorre em meio à pior crise econômica das últimas décadas em Cuba. Um estudo independente divulgado nesta semana pelo Centro Cristão de Reflexão e Diálogo estima que quase sete em cada dez cubanos não têm renda suficiente para comprar uma cesta básica e para outras necessidades essenciais.
Segundo a pesquisa, 6,45 milhões de pessoas, o equivalente a 66% da população, vivem em situação de pobreza, um forte aumento em relação aos 45% estimados em meados de 2025, impulsionado, principalmente, pela alta dos preços dos alimentos.
A socióloga Mayra Espina, coordenadora do estudo, disse à AFP que o cálculo oferece "um quadro indicativo de que o problema está se agravando".
Embora o governo não divulgue estatísticas oficiais sobre a pobreza, a deterioração econômica é visível nas ruas. Relatores especiais da ONU alertaram no mês passado para o agravamento da crise e pediram que a comunidade internacional atue para evitar que Cuba se torne uma "Gaza silenciosa".
J.Pereira--PC