Professora da UBC defende ligação à polícia como ato de cuidado a Steven Galloway
Professora da UBC defende ligação à polícia como ato de cuidado a Steven Galloway

Professora da UBC defende ligação à polícia como ato de cuidado a Steven Galloway

A professora Annabel Lyon testificou na Suprema Corte da Colúmbia Britânica sobre o momento em que decidiu contactar as autoridades para visitar Steven Galloway. Ela classificou a ação, realizada após o autor ter mencionado intenção de suicídio, como um ato de cuidado, rejeitando a narrativa de que teria sido uma medida sádica.

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VANCOUVER — A professora Annabel Lyon testificou na terça-feira no processo de difamação movido pelo autor Steven Galloway, descrevendo a decisão de uma colega de chamar a polícia para visitar Galloway como um "ato de cuidado". A testemunha rejeitou a caracterização da ação como sádica, enfatizando que o objetivo era garantir a segurança do escritor, que havia manifestado intenções suicidas.

Lyon, atual diretora da escola de escrita criativa da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), foi a primeira testemunha apresentada por A.B., a ex-aluna que não pode ser identificada devido a uma proibição de publicação. O processo centra-se nas alegações de assédio sexual contra Galloway, que ele nega e que foram consideradas infundadas por um juiz contratado pela universidade para investigar o caso. Galloway nunca foi acusado criminalmente.

A cronologia dos eventos remonta a novembro de 2015. Lyon relatou à Suprema Corte da Colúmbia Britânica que tomou conhecimento das acusações através de outro professor. Após uma conversa telefónica com A.B., Lyon e outros colegas reuniram-se nos dias 15 e 16 de novembro para discutir como proceder.

Durante as reuniões, Galloway começou a ligar dos Estados Unidos, onde se encontrava. Inicialmente, os colegas não atenderam, mas Lyon acabou por falar com ele. Segundo o seu depoimento, Galloway estava a chorar e afirmou: "Deveria simplesmente matar-me".

Uma das colegas de Lyon decidiu contactar os serviços de emergência (911). A polícia deslocou-se ao hotel onde Galloway se hospedava em Ohio após receber o relatório sobre o risco de suicídio. Mais tarde, a polícia contactou Lyon para informar que o autor não parecia estar em perigo imediato, mas Lyon insistiu que ele era "manipulador". Ela ficou a saber posteriormente que Galloway tinha sido internado num hospital.

"Esses eventos foram massivamente distorcidos e mal compreendidos, e dói-me no fundo da alma", disse Lyon ao tribunal. Ela explicou que sentiu alívio ao saber que ele estava sob cuidados médicos: "Foi um ato de cuidado. Fizemos essa chamada como um ato de cuidado. Quando soube que a polícia estava lá e que ele estava num hospital, fiquei aliviada porque pensei: 'Ele está seguro. Pelo menos por esta noite, está seguro'."

Sob interrogatório pelo advogado de Galloway, Daniel Burnett, Lyon admitiu não ter feito qualquer acompanhamento posterior com o autor porque lhe foi dito para não comunicar com ele. Ela justificou ter atendido às chamadas naquela noite específica devido a instruções da administração da universidade sobre o dever de agir se houvesse perigo de vida.

"Senti que fizera o que podia fazer à distância em que me encontrava", afirmou Lyon. Ela também descreveu Galloway como um "irmãozito irritante" e mencionou que as suas famílias eram amigas antes dos eventos que levaram à suspensão e posterior despedimento do autor pela UBC.

Lyon testificou que sentia "muito fortemente" que Galloway deveria ser suspenso enquanto durasse a investigação. Ela afirmou ter dito a A.B. que acreditava nas acusações e as relatado aos colegas, cumpindo o pedido da mulher, mas tentou atuar como uma mediadora neutra entre ela e outra ex-aluna que recolhia mais queixas.

A suspensão de Galloway foi justificada por Lyon como uma medida para permitir que outros se manifestassem em segurança. "A universidade colocou-me nesse papel", disse. "Tentei ser muito neutra em tudo isto." Galloway foi demitido da sua posição como presidente da escrita criativa, mas venceu um processo de arbitragem contra a universidade em 2018.

O julgamento continua na quarta-feira.

P.Cavaco--PC