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Indicado de Trump para liderar Segurança Interna passa por audiência tensa no Senado
O indicado do presidente Donald Trump para assumir o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Markwayne Mullin, foi submetido a um duro interrogatório sobre política migratória em uma tensa audiência de confirmação no Senado nesta quarta-feira (18).
Senador por Oklahoma, Mullin procurou se distanciar da secretária anterior, Kristin Noem, que deixa o cargo sob controvérsias por sua reação à morte de dois manifestantes no estado de Minnesota que protestavam contra as operações contra a imigração ilegal.
Mullin entrou em choque particularmente com o senador Rand Paul, presidente do comitê e também republicano.
Paul, que mantém uma relação conturbada com Mullin há anos, disse aos jornalistas após as três horas de audiência que votaria contra sua nomeação.
Os republicanos contam com uma maioria de 8 a 7 no comitê da Câmara Alta. É necessária apenas uma maioria simples para enviar a indicação de Mullin ao plenário do Senado para uma votação de confirmação, que está prevista para quinta-feira.
Um senador democrata do comitê, John Fetterman, indicou que poderia votar a favor da confirmação de Mullin e, durante a audiência desta quarta-feira, explicou que mantém uma "mentalidade aberta".
Noem foi demitida por Trump depois de ter feito comentários negativos sobre os manifestantes baleados em Minneapolis, uma mulher e um homem.
Mullin afirmou que um de seus objetivos, se for confirmado, seria tirar o DHS e sua polêmica Agência de Imigração e Alfândega (ICE) do foco público.
"Meu objetivo em seis meses é que não sejamos a principal notícia todos os dias", disse. "Quero proteger a pátria. Quero trazer tranquilidade. Quero devolver a confiança à agência."
O senador assegurou que "adoraria que o ICE se transformasse em uma agência de transporte" para deportar os imigrantes, em vez de estar "na linha de frente" em batidas em cidades de todo o país.
Ele ressaltou que se exigiria que os agentes federais de imigração tivessem mandados judiciais antes de entrar em domicílios ou empresas, a menos que estivessem perseguindo um criminoso comprovado.
Mullin também retirou declarações que fez na época em que chamou um dos dois americanos mortos a tiros em Minneapolis, Minnesota, de "indivíduo demente". "Eu não deveria ter dito isso", afirmou.
O homem estava armado e teve pelo menos dois confrontos com agentes do ICE, até ser baleado no último.
Ele também disse que a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), subordinada ao DHS, deveria ser "reestruturada" e não eliminada, como propuseram alguns no governo Trump.
– "Problemas de raiva" –
A audiência começou de forma explosiva quando Paul confrontou Mullin por comentários passados que o senador por Oklahoma fez sobre o senador por Kentucky.
Mullin, um ex-lutador e praticante de artes marciais mistas de 48 anos, chegou a chamar Paul de "maldita serpente" e disse que "entendia" por que ele havia sido agredido em 2017.
"Diga na minha cara por que o senhor acha que eu merecia isso", pediu Paul a Mullin.
"E já que estamos no assunto, explique ao público americano por que eles deveriam confiar em um homem com problemas de raiva para dar o exemplo adequado aos agentes do ICE e da patrulha de fronteira", acrescentou.
Mullin se recusou a pedir desculpas a Paul por seus comentários anteriores e, referindo-se à agressão, declarou: "Não acho que ninguém deva ser agredido de surpresa".
Mullin, um firme aliado de Trump, foi eleito para o Senado por Oklahoma em 2022, depois de passar 10 anos na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
L.E.Campos--PC