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Manifestações anti-Trump ocupam ruas dos EUA e ultrapassam fronteiras
Milhões de pessoas protestam neste sábado (28) nos Estados Unidos e em outros países contra o presidente Donald Trump, irritadas com o que consideram uma guinada autoritária e contrária à lei.
Esta é a terceira vez que os americanos saem às ruas em menos de um ano como parte de um movimento chamado "No Kings" (Sem Reis), a forma mais visível de oposição a Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025.
Os manifestantes agora têm um novo motivo de indignação: a guerra no Irã que Trump lançou junto com Israel, com objetivos e prazos de conclusão em constante mudança.
Os protestos acontecem em várias cidades, entre elas Washington, Boston e Atlanta, onde milhares de pessoas se reuniram em um parque para denunciar o autoritarismo.
"Nenhum país pode governar sem o consentimento do povo", declarou à AFP, em Atlanta, Marc McCaughey, um veterano militar de 36 anos.
"Estamos aqui porque sentimos que a Constituição está sob ameaça de diversas maneiras diferentes. As coisas não estão normais. Não estão certas", acrescentou.
Na cidade de West Bloomfield, em Michigan, perto de Detroit, as pessoas desafiaram temperaturas abaixo de zero para protestar. Em Washington, os participantes atravessaram uma ponte sobre o rio Potomac para seguir em direção ao Lincoln Memorial, cenário de manifestações históricas pelos direitos civis.
A onda de reprovação a Trump ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos, com mobilizações registradas neste sábado em cidades europeias como Amsterdã, Madri e Roma, onde 20.000 pessoas marcharam sob forte presença da polícia.
"Não queremos um mundo governado por reis... que tomam decisões de cima para baixo", afirmou Andrea Nossa, uma pesquisadora de 29 anos.
- Expectativa de recorde -
Milhões de pessoas participaram da primeira manifestação do "No Kings", em junho do ano passado, com atos de Nova York a San Francisco, enquanto a segunda edição do protesto, em outubro, reuniu cerca de sete milhões de participantes, segundo os organizadores.
Espera-se agora uma mobilização ainda maior, diante do baixo índice de aprovação de Trump — em torno de 40% — e das eleições de meio de mandato em novembro, nas quais os republicanos podem perder o controle das duas câmaras do Congresso.
Muitos apoiadores veneram o presidente dentro do movimento "Make America Great Again" (MAGA, Torne os Estados Unidos grandes novamente), enquanto opositores, do outro lado da profunda divisão política americana, rejeitam Trump com a mesma intensidade.
Os críticos de Trump questionam sua propensão a governar por decreto, seu uso do Departamento de Justiça para perseguir opositores, sua negação das mudanças climáticas e a ofensiva contra programas de diversidade racial e de gênero.
Os críticos também apontam seu recente gosto por exibir o poderio militar americano após uma campanha em que ele se apresentou como um homem de paz.
"Desde a última vez que marchamos, esta administração nos arrastou ainda mais profundamente para a guerra", afirmou Naveed Shah, da Common Defense, uma associação de veteranos que integra o movimento "No Kings".
"Em casa, testemunhamos cidadãos sendo mortos nas ruas por forças militarizadas. Vimos famílias destruídas e comunidades de imigrantes transformadas em alvo de ataques. Tudo em nome de um único homem que tenta governar como um rei", acrescentou.
- Springsteen em Minnesota -
Os organizadores afirmam que mais de 3.000 manifestações estão programadas nas principais cidades, assim como em áreas suburbanas e rurais, e até mesmo na localidade de Kotzebue, no Alasca, acima do círculo polar ártico.
O estado de Minnesota se tornará um ponto central, meses depois de virar o epicentro do debate nacional sobre a repressão violenta aos imigrantes impulsionada por Trump.
O astro do rock Bruce Springsteen, crítico ferrenho do presidente, deve se apresentar em St. Paul, capital do estado, para interpretar a canção 'Streets of Minneapolis'.
Springsteen compôs e gravou a balada em 24 horas, em memória de Renee Good e Alex Pretti, dois cidadãos americanos mortos a tiros por agentes federais durante operações da polícia migratória de Trump na cidade.
Os organizadores afirmam que dois terços dos participantes previstos para as manifestações deste sábado não vivem nas grandes cidades, que costumam ser redutos democratas.
X.Matos--PC